A Enflame Technology, uma das mais destacadas empresas emergentes (‘start-ups’) chinesas de ‘chips’ para inteligência artificial (IA), estreou-se hoje na Bolsa de Xangai com uma valorização de 188% na abertura, quase triplicando o preço da oferta pública inicial (IPO).
As ações abriram nos 410 yuan (52,62 euros), face ao preço de 142,18 yuan (18,25 euros) fixado pela empresa para a venda de pouco mais de 43 milhões de títulos, numa operação que permitiu captar cerca de 6.120 milhões de yuan (786 milhões de euros).
Logo após o início da sessão, as ações da Enflame chegaram a disparar 234%, embora, cerca das 11:00 locais (04:00, em Lisboa), a subida tivesse abrandado para 185%.
A cotação registada na abertura atribuiu à tecnológica uma avaliação equivalente a cerca de 26.300 milhões de dólares (22.668 milhões de euros).
A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do setor dos ‘chips’ para IA, juntamente com a MetaX, a Moore Threads e a Biren Technology, e é a última das quatro empresas a entrar em bolsa.
As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do ano passado e o início deste ano.
A imprensa especializada tinha apontado a estreia da Enflame como um teste ao apetite dos investidores pelo setor, depois de a Moore Threads ter disparado 425% na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693% e a Biren 76%.
A procura por ações da Enflame entre os investidores de retalho superou em mais de 4.000 vezes a oferta disponível, sinalizando a manutenção do forte interesse do mercado por estas empresas.
Fundada em 2018 e com sede em Xangai, a Enflame vai atribuir cerca de 8,6 milhões de ações a investidores estratégicos, entre os quais Tencent, Xiaomi, GigaDevice e ZTE.
A empresa pretende utilizar os fundos captados para desenvolver e comercializar os seus ‘chips’ de quinta e sexta geração, reforçar as cadeias de abastecimento e aumentar a capacidade de inovação independente.
Os “quatro pequenos dragões” beneficiaram das restrições impostas por Washington à exportação para a China de determinados semicondutores avançados, que limitaram a capacidade da norte-americana Nvidia de vender no mercado chinês os seus produtos mais avançados.
O interesse dos investidores nestas empresas é também impulsionado pelo apoio de Pequim ao setor dos semicondutores, considerado prioritário no âmbito da estratégia de autossuficiência tecnológica do país.
O desenvolvimento de tecnologias estratégicas e a redução da dependência de fornecedores estrangeiros constituem prioridades do plano quinquenal que orientará a segunda maior economia mundial até 2030.














