O movimento de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) pediu um referendo nacional sobre a permanência da Alemanha na União Europeia, justificando a necessidade deste referendo com os “enormes encargos financeiros” dos fundos acordados para apoiar os parceiros mais afetados pela pandemia da covid-19.
O AfD requer assim uma consulta federal, semelhante à realizada no Reino Unido a propósito do Brexit, mas que para se concretizar a Alemanha teria de proceder à alteração da lei que, por agora, apenas permite tais consultas no âmbito regional.
O partido, que havia deixado de lado o euroceticismo devido à falta de adesão do eleitorado, retoma esse caminho numa altura em que se faz sentir um forte impacto da covid-19 no país e em que surge claramente enfraquecido nas sondagens, que lhe dão apenas 9% (que comparam com 12,6% nas eleições e taxas até 15% nesta legislatura).
“É cada vez mais urgente perguntar aos cidadãos o que eles querem”, sublinha Johannes Huber, um dos porta-vozes do movimento, defendendo ainda que “resgatar outros estados e seus credores às custas da Alemanha é simplesmente impossível” porque o país já está “no limite de suas capacidades” com o apoio financeiro estabelecido para as empresas nacionais.
“A UE cedeu à crise atual e mostrou que é supérflua”, acrescentou Huber, acusando diretamente a presidente da Comissão Europeia, a também alemã, Ursula von der Leyen.
O AfD surgiu em 2014, no meio da crise da dívida, como uma força política eurocética, mas depois transformouse num partido anti-imigração com a chegada significativa de refugiados à Alemanha em 2015 e 2016, anos em que o partido se virou inteiramente para a extrema direita.





