Extravio de bagagens em aeroportos portugueses pode custar 1,63 mil milhões de euros em indemnizações

Mais de 851 mil malas foram extraviadas em Portugal em 2024, segundo estimativas da AirAdvisor, que alerta para impacto financeiro significativo para companhias aéreas e passageiros. O extravio de bagagens nos aeroportos portugueses poderá representar um custo potencial de até 1,63 mil milhões de euros em indemnizações a passageiros.

Fábio Carvalho da Silva e André Mendes
Agosto 26, 2025
10:50

Mais de 851 mil malas foram extraviadas em Portugal em 2024, segundo estimativas da AirAdvisor, que alerta para impacto financeiro significativo para companhias aéreas e passageiros. O extravio de bagagens nos aeroportos portugueses poderá representar um custo potencial de até 1,63 mil milhões de euros em indemnizações a passageiros.

A projeção é da AirAdvisor, plataforma internacional especializada nos direitos dos consumidores de serviços aéreos, que calcula que mais de 851 mil malas foram perdidas em Portugal ao longo de 2024.



A estimativa tem por base o relatório Baggage IT Insights 2025, da SITA, que aponta para uma taxa de 12,3 malas extraviadas por mil passageiros na Europa — mais do dobro da média mundial. Considerando os 69,2 milhões de passageiros que transitaram pelos dez principais aeroportos portugueses em 2024, incluindo Lisboa, Porto e Faro, a dimensão do problema torna-se evidente, sublinha a AirAdvisor.

“Aplicando os índices europeus ao tráfego aéreo registado em Portugal, torna-se evidente a verdadeira dimensão do problema relacionado ao manuseamento de bagagens tanto para os passageiros quanto para as companhias aéreas”, avalia Anton Radchenko, advogado especializado em Direito Aeronáutico e CEO da AirAdvisor. Segundo ele, embora nem todas as malas extraviadas deem direito a indemnização integral, o impacto financeiro pode ser significativo. “Se cada uma dessas bagagens fosse elegível para o valor máximo previsto na Convenção de Montreal, que é de 1.920 euros, o montante total em indemnizações poderia ultrapassar os 1,63 mil milhões de euros apenas em Portugal”, sublinha.

Apesar disso, muitos passageiros ainda desconhecem os seus direitos e acabam por não reclamar. “A falta de informação e a dificuldade de acesso aos canais de reclamação das companhias aéreas contribuem para que muitos consumidores nem sequer apresentem as suas queixas”, alerta Radchenko.

De acordo com a legislação aplicável, passageiros que viajem na União Europeia ou no Reino Unido podem reclamar até 1.920 euros, enquanto nos Estados Unidos o valor máximo pode chegar aos 4.700 dólares (cerca de 4.034 euros), mediante apresentação de recibos e cumprimento dos requisitos específicos das companhias aéreas.

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