Expo’2020: crescem alegações de exploração dos trabalhadores na “maior feira do mundo” no Dubai

A Expo’2020 abriga 192 pavilhões nacionais que apresentam as mais recentes ideias em tecnologia e sustentabilidade e os organizadores esperam ver 25 milhões de visitantes

Francisco Laranjeira

Seguranças, empregados de limpeza e funcionários da hospitalidade da Expo’2020 do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), estão supostamente a trabalhar em condições altamente abusivas, de acordo com um grupo defensor dos direitos humanos, ‘Equidem’. “Os trabalhadores migrantes empregados na feira internacional nos Emirados Árabes Unidos – que acontece após o adiamento pela Covid-19 – alegam que foram forçados a pagar taxas de recrutamento ilegais, sofreram discriminação racial e tiveram salários retidos e passaportes confiscados”, explicou a organização, em comunicado.

“A maior feira do mundo”, como é conhecida a Expo’2020, abriga 192 pavilhões nacionais que apresentam as mais recentes ideias em tecnologia e sustentabilidade. Os organizadores esperam ver 25 milhões de visitantes durante a feira, que abriu em outubro de 2021 e tem o encerramento apontado para março de 2022.

O relatório da ‘Equidem’ destacou a “desconexão significativa entre a ambição declarada do Emirado de ser um estado moderno e internacional e a realidade da discriminação racial e práticas de trabalho forçado que os trabalhadores migrantes estão a enfrentar”.

“Toda a comunidade internacional é cúmplice da exploração na Expo. É um escândalo”, apontou o diretor da ‘Equidem’, Mustafa Qadri.

Mais da metade dos 69 trabalhadores entrevistados para o relatório disseram que pagaram taxas de recrutamento nos seus próprios países para garantir os seus empregos. Muitos alegaram que os seus empregadores estavam cientes dessa prática, mas não conseguiram intervir ou reembolsar as taxas. A prática, ilegal nos Emirados Árabes Unidos, muitas vezes deixa os trabalhadores endividados.

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Dois terços dos trabalhadores migrantes entrevistados disseram que os seus salários ou outros benefícios nem sempre eram pagos em dia ou integralmente, deixando alguns a lutar para pagar por alimentos ou enviar dinheiro para as suas famílias.

Praticamente todos os trabalhadores disseram que os seus passaportes estavam na posse do empregador – embora a maioria tenha dito que poderia recuperá-los mediante solicitação, a prática é ilegal e pode ser usada por algumas empresas para controlar a sua força de trabalho.

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