Explosão nuclear em Beirute? O mundo temeu estar a rever a «nuvem de Wilson»

A «nuvem de Wilson» aparece quando «a explosão produz um gás quente que sobe rapidamente».

Simone Silva

Dezenas de mortos, milhares de feridos e 100 desaparecidos: assim se salda para já a explosão que aconteceu no porto de Beirute, no Líbano, que apesar de não ter sido um ataque nuclear houve quem pensasse que sim. E porquê? A «nuvem de Wilson» explica a comparação, de acordo com o ‘El Confidencial’.

Foi precisamente o surgimento de uma explosão nuclear que gerou especulações no início do sucedido, mas afinal tratava-se de uma elevada quantidade de nitrato de amónio armazenado no porto da capital libanesa, epicentro da explosão de um depósito que não tinha vigilância há pelo menos seis anos.

O motivo de ter sido confundido com uma explosão nuclear deve-se a um efeito denominado «nuvem de Wilson», uma nuvem em forma de cogumelo muito característica, embora não exclusiva, das explosões atómicas. «Este tipo de nuvem aparece quando a explosão produz um gás quente que sobe rapidamente», explica Mar Gómez, especialista em Física, citado pelo ‘El Confidencial’.

Gómez, que também é responsável pelo departamento de Meteorologia da ‘Eltiempo.es’, recorda que o que acontece é que o ar acima «amortece esse gás quente enquanto se tenta mover e é literalmente empurrado para baixo», movimento que leva à forma de um cogumelo.

Por sua vez, este fenómeno também tem a sua própria explicação científica sob o nome de instabilidade de Rayleigh-Taylor, que consiste na interacção entre dois materiais, líquidos ou gasosos, quando um de baixa densidade empurra o outro de alta densidade, e é neste momento em que a chamada «nuvem Wilson» é criada.

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Quando uma bomba atómica ou uma grande quantidade de explosivos – como aconteceu no caso de Beirute – explodem num ambiente de ar húmido, a onda de choque gerada leva à rarefacção, ou seja, à redução da densidade do ar ao redor do explosão, o que faz com que o ar arrefeça temporariamente, causando condensação de parte do vapor de água nele contido.

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