Explicador: Praça de Lisboa está a perder o comboio dos mercados globais? O que está a travar o PSI?

Os mercados financeiros internacionais registaram uma forte recuperação em abril de 2026, ainda que a diferentes velocidades, com destaque para o dinamismo dos Estados Unidos.

André Manuel Mendes

Os mercados financeiros internacionais registaram uma forte recuperação em abril de 2026, ainda que a diferentes velocidades, com destaque para o dinamismo dos Estados Unidos.

De acordo com a análise da Maxyield, o índice global MSCI World avançou 9,4% no mês, acumulando uma valorização anual de 5,2%, enquanto os principais índices norte-americanos atingiram novos máximos históricos.

Em contraste, o mercado português evidenciou um desempenho mais contido. O PSI valorizou 2,3% em abril, encerrando o mês nos 9.345 pontos, numa recuperação face à quebra registada em março, mas sem conseguir acompanhar o ritmo dos mercados internacionais. Ainda assim, desde o início do ano, o índice acumula um ganho relevante de 13,1%, mantendo um desempenho superior ao mercado espanhol em termos anuais.

Segundo a Maxyield, esta evolução “a duas velocidades” resulta, em parte, da incapacidade dos mercados europeu e português acompanharem a trajetória ascendente global na segunda quinzena de abril, influenciados pela repercussão assimétrica do conflito no Irão e pelos resultados robustos da época de apresentação de contas do primeiro trimestre nos EUA.

PSI mantém volatilidade e níveis de há quase duas décadas

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Apesar da subida mensal, o PSI continua a apresentar elevada volatilidade, com oscilações significativas entre títulos. Em abril, a variação das cotadas foi ampla, entre a queda de 5% da Galp e a subida de 11,1% da Ibersol. No total, 12 empresas registaram ganhos e quatro encerraram em queda.

Entre as maiores valorizações destacam-se ainda o BCP (9,3%), a Mota-Engil (8,9%) e a Teixeira Duarte (8,5%), enquanto, além da Galp, também a Corticeira Amorim, a Jerónimo Martins e a Navigator registaram perdas.

O índice mantém-se no intervalo entre os 9.000 e os 10.000 pontos, níveis que não eram observados há cerca de 18 anos. A atual fase de crescimento do PSI prolonga-se há seis anos, tendo resistido aos ciclos de queda registados globalmente em 2022 e nos EUA em abril de 2025.

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NOS lidera ganhos anuais, Teixeira Duarte com maior queda

Em termos acumulados desde o início do ano, a evolução do PSI continua positiva, ainda que marcada por episódios de volatilidade associados a fatores geopolíticos e decisões de política comercial. A NOS lidera os ganhos com uma valorização de 40%, seguida pela Galp (36,4%) e pela Ibersol (21,2%).

No extremo oposto, a Teixeira Duarte apresenta a maior desvalorização (-29,9%), acompanhada pelos CTT (-13,7%), Corticeira Amorim (-2,9%) e Mota-Engil (-2,5%).

Queda no volume negociado trava ritmo de crescimento

Outro fator que ajuda a explicar o desempenho mais moderado do PSI face aos mercados internacionais é a redução da liquidez. O valor médio diário transacionado na Euronext Lisboa caiu 10,6% em abril, após crescimentos nos meses anteriores, sinalizando menor dinamismo do mercado.

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“Segundo mercado” acompanha tendência com menor volatilidade

Já o PSI Geral, que inclui também empresas de menor capitalização (“small caps”), registou uma subida de 2% em abril, refletindo a tendência do índice principal, mas com oscilações menos acentuadas.

Neste segmento, destacaram-se as valorizações mensais da Benfica SAD, Estoril Sol e Porto SAD, enquanto, numa perspetiva anual, sobressaem empresas como a Pharol, Toyota Caetano, Sonaecom e Vista Alegre.

A análise da Maxyield confirma, assim, um cenário de recuperação dos mercados acionistas, mas com divergências claras entre geografias, num contexto ainda marcado por fatores geopolíticos e pelo desempenho desigual das economias globais.

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