Explicador: O que significa a captura de Maduro pelos EUA para os planos da China sobre Taiwan?

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, numa operação realizada nas primeiras horas de sábado, levantou dúvidas e especulação internacional sobre eventuais repercussões geopolíticas, em particular no que diz respeito às ambições da China em relação a Taiwan.

Pedro Zagacho Gonçalves

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, numa operação realizada nas primeiras horas de sábado, levantou dúvidas e especulação internacional sobre eventuais repercussões geopolíticas, em particular no que diz respeito às ambições da China em relação a Taiwan. O tema ganhou forte destaque nas redes sociais chinesas, mas especialistas ouvidos pela Newsweek consideram improvável que este episódio altere de forma significativa o cálculo estratégico de Pequim.

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O que aconteceu na Venezuela?
Os Estados Unidos levaram a cabo uma operação que resultou na detenção de Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores. A administração do presidente Donald Trump classificou a acção como uma “detenção”, invocando uma acusação formal apresentada em 2020 que aponta Maduro como envolvido numa conspiração para introduzir narcóticos nos Estados Unidos.

Críticos da operação argumentam que o ataque violou o direito internacional e a legislação norte-americana, sublinhando que foi realizado sem notificação prévia nem aprovação do Congresso. As autoridades venezuelanas afirmaram que a operação provocou mais de 40 mortos, incluindo civis.

Como reagiu a China oficialmente?
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China condenou a ação dos Estados Unidos e apelou à devolução imediata de Maduro e da sua esposa, defendendo que os diferendos devem ser resolvidos através do diálogo.

Pequim reiterou a sua oposição a intervenções unilaterais e classificou a atuação norte-americana como uma violação da soberania de um Estado.

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Porque é que o caso se tornou viral na China?
A operação norte-americana rapidamente se tornou um dos temas mais discutidos nas redes sociais chinesas, em particular na plataforma Weibo, onde acumulou mais de 440 milhões de visualizações, segundo a Bloomberg News.

Alguns utilizadores sugeriram que a ação dos Estados Unidos poderia servir de modelo para uma eventual operação chinesa contra Taiwan. “O ataque relâmpago dos imperialistas norte-americanos à Venezuela e a detenção de Maduro e da sua esposa forneceram um excelente modelo para o nosso exército lançar um ataque surpresa sobre a Ilha dos Sapos e capturar o presidente taiwanês Lai Ching-te”, escreveu um utilizador. Outro comentou: “Vejam como foram eficientes, resolveram o problema numa hora”.

Taiwan entra no cálculo estratégico de Pequim?
Apesar da especulação online, vários analistas rejeitam a ideia de que o episódio venezuelano altere a posição chinesa sobre Taiwan. Ryan Hass, director do Centro da China do Brookings Institution, escreveu na rede social X que não espera “que os acontecimentos de hoje na Venezuela alterem dramaticamente o cálculo de Pequim sobre Taiwan”.

Segundo Hass, a China “não se tem abstido de ações cinéticas ou de outro tipo contra Taiwan por respeito ao direito internacional e às normas”, optando antes por “uma estratégia de coerção sem violência”. Acrescentou ainda que, caso a República Popular da China avance militarmente, “a capacidade dos Estados Unidos para mobilizar uma resposta internacional não dependerá do seu historial de fidelidade ao direito internacional”.

A operação pode encorajar uma ação chinesa?
Alguns especialistas manifestaram preocupação. Lev Nachman, professor de Ciência Política na Universidade Nacional de Taiwan, escreveu estar “horrorizado” com o facto de os Estados Unidos continuarem a “criar precedentes” que poderiam ser usados pela China para justificar uma acção unilateral contra Taiwan.

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Outros analistas discordam, defendendo que Pequim poderá usar o episódio sobretudo como argumento retórico para reforçar a sua narrativa de que os Estados Unidos atuam de forma imprudente, em contraste com uma China que se apresenta como defensora da ordem internacional.

O direito internacional pesa na decisão chinesa?
Segundo vários especialistas, o direito internacional não é determinante na abordagem chinesa a Taiwan. Pequim considera a ilha uma questão interna, uma vez que o governo taiwanês resultou da derrota das forças nacionalistas na guerra civil chinesa, em 1949.

No seu discurso de Ano Novo, o presidente chinês Xi Jinping reiterou que a reunificação com Taiwan é uma “tendência imparável”.

Henry Gao, professor de Direito na Singapore Management University, afirmou que “a razão pela qual a China não atuou não é a falta de justificação legal, mas a falta de capacidade”, acrescentando que a operação norte-americana na Venezuela “não fornece qualquer justificação legal adicional” para uma eventual ação chinesa.

O que dizem os Estados Unidos sobre Taiwan?
Responsáveis da defesa norte-americana acreditam que Xi Jinping deu instruções para que as Forças Armadas chinesas estejam preparadas para tomar Taiwan, embora reconheçam que isso não significa uma acção iminente.

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Donald Trump afirmou ter recebido garantias de Xi Jinping de que a China não atacaria Taiwan durante o seu segundo mandato presidencial, uma declaração que não foi confirmada por Pequim.

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