Explicador: O que está a tornar as farmacêuticas mais atrativas para os investidores?

Num contexto em que encontrar oportunidades de crescimento de longo prazo se tornou mais difícil, o setor farmacêutico pode estar a beneficiar dos resultados de anos de investimento em investigação e desenvolvimento.

André Manuel Mendes

A profundidade das pipelines de novos medicamentos permite às empresas reduzir a dependência de um único produto e criar novas fontes de crescimento.

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A par da inovação, muitas farmacêuticas apresentam também uma forte capacidade de geração de cash flow, o que lhes permite manter dividendos, reforçar as respetivas pipelines ou avançar para aquisições estratégicas.

A AstraZeneca é um dos exemplos destacados por Noriko Chen, gestora de carteiras de ações da Capital Group. A farmacêutica britânica conta já com uma posição consolidada na área da oncologia, mas está também a desenvolver ativos direcionados para doenças cardiovasculares, problemas renais crónicos e doenças metabólicas.

Para a gestora, parte deste potencial de crescimento continua, contudo, a não estar totalmente refletido nas avaliações de mercado.

A exposição à China é outro dos fatores que Chen considera relevantes. “A China representa cerca de 13% das vendas”, afirma, destacando simultaneamente o potencial de inovação que está a emergir naquele mercado.

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“Estamos entusiasmados com a inovação que está a surgir na China. Com a sua escala e as suas parcerias profundas, a AstraZeneca pode financiar tanto a sua pipeline como um dividendo saudável, o que pode tornar o negócio mais duradouro do que o mercado assume”, acrescenta.

Dividendos continuam a ser uma aposta

Para além do crescimento proporcionado pela inovação, as farmacêuticas apresentam outra característica que pode ganhar relevância num ambiente de maior incerteza: a capacidade de remunerar os acionistas.

“As empresas farmacêuticas têm demonstrado disciplina na gestão do seu cash, investindo no crescimento sem sacrificar o rendimento”, sublinha Noriko Chen.

Segundo a gestora, muitas empresas do setor seguem uma política de crescimento progressivo dos dividendos, apresentando atualmente yields consideradas atrativas. A Roche e a Novo Nordisk são dois exemplos apontados, com dividend yields superiores a 3%.

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A combinação entre crescimento impulsionado pela inovação e capacidade de distribuição de dividendos pode, assim, contribuir para aumentar a resiliência das carteiras de investimento, mantendo simultaneamente o potencial de valorização associado ao desenvolvimento de novos medicamentos.

Num setor em que a inovação continua a alimentar novas oportunidades de negócio, a capacidade de financiar investigação, aquisições e dividendos a partir de uma geração robusta de cash flow poderá ser um dos principais fatores de diferenciação das farmacêuticas no longo prazo.

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