O Mundial de Futebol arranca esta tarde nos Estados Unidos, México e Canadá sob a promessa de gerar mais de 30 mil milhões de dólares (cerca de 26 mil milhões de euros) de atividade económica, impulsionando sobretudo setores como o turismo, hotelaria, comércio e entretenimento. Ainda assim, apesar do entusiasmo em torno daquele que será o maior torneio da história da competição, há sinais de que o impacto económico poderá ficar aquém das previsões mais otimistas.
Segundo uma análise da XTB, o turismo deverá ser um dos principais beneficiários do evento, numa altura em que os Estados Unidos procuram recuperar o dinamismo perdido nos últimos anos. Em 2025, o país recebeu 68,3 milhões de visitantes internacionais, menos 6% do que em 2024 e cerca de 15% abaixo do pico registado em 2018.
Apesar de o turismo representar apenas cerca de 3% do PIB norte-americano, alguns setores dependem fortemente da chegada de visitantes estrangeiros. É o caso da hotelaria, onde já começam a surgir preocupações. Dados recentes mostram que cerca de 80% dos hoteleiros consideram que as reservas estão abaixo das expectativas iniciais, enquanto quase 70% apontam entraves regulatórios como um dos fatores que dificultam a deslocação dos adeptos.
As críticas estendem-se também à organização do torneio. Em Filadélfia, por exemplo, a FIFA terá cancelado a reserva de cerca de dois mil quartos de hotel sem apresentar justificação, segundo representantes do setor.
Ainda assim, a FIFA mantém um discurso otimista. A organização garante que a venda de bilhetes já ultrapassou os cinco milhões, um valor recorde que supera os números registados nas edições de 2018 e 2022. No entanto, o aumento do número de seleções participantes e de jogos realizados torna mais difícil avaliar o verdadeiro nível de procura. A própria FIFA admite que ainda não é certo que o recorde de assistência total, fixado em 3,5 milhões de espectadores desde o Mundial de 1994, seja ultrapassado.
A análise da XTB recorda que, historicamente, menos de metade dos espectadores presentes nos estádios são adeptos vindos do estrangeiro, o que significa que os benefícios económicos tendem a concentrar-se nos negócios locais das cidades anfitriãs.
No setor hoteleiro, algumas consultoras estimam que as receitas por quarto disponível possam crescer 1,7% em termos homólogos e mais de 12% durante o período do torneio. Contudo, estas projeções contrastam com a prudência demonstrada por algumas grandes cadeias, como a Hilton, que já no início do ano antecipava um crescimento mais moderado.
Entre as empresas potencialmente beneficiadas surgem também as marcas de equipamento desportivo. Casas de investimento como a Bernstein estimam que gigantes como a Nike e a Adidas possam registar um aumento adicional de cerca de 4% nas vendas anuais. A Adidas chegou mesmo a prever mais 250 milhões de euros em encomendas associadas ao torneio.
Já entre as possíveis surpresas destacam-se as plataformas de alojamento local e as casas de apostas. A Airbnb estabeleceu uma parceria oficial com a FIFA e estima beneficiar de um forte aumento da procura nas cidades anfitriãs. Segundo previsões citadas pela XTB, o torneio poderá gerar mais 380 mil hóspedes para a plataforma.
Outro nome seguido com atenção pelos investidores é a DraftKings. A empresa, uma das líderes do mercado de apostas desportivas nos Estados Unidos, tem beneficiado do crescimento acelerado do setor e apresentou resultados acima das expectativas no primeiro trimestre de 2026, alimentando a expectativa de que o Mundial possa funcionar como um catalisador adicional para o negócio.
Ainda assim, a conclusão da XTB é clara: apesar da dimensão mediática e económica do torneio, o impacto nos mercados financeiros deverá ser relativamente limitado. E algumas das empresas apontadas como vencedoras do evento poderão acabar por não corresponder às expectativas criadas antes do apito inicial.




