Exigiram 2 milhões de euros à Hipp: extorsão com comida para bebé envenenada põe autoridades europeias em alerta

Segundo as autoridades alemãs, os suspeitos enviaram um e-mail à sede da Hipp na Alemanha a 27 de março último, exigindo o pagamento até 1 de abril

Francisco Laranjeira

A fabricante suíço-alemã Hipp está no centro de uma investigação internacional por suspeita de extorsão, depois de criminosos terem exigido dois milhões de euros para não distribuírem embalagens adulteradas de comida para bebé em supermercados da Áustria, República Checa e Eslováquia. O caso, noticiado pelo ’20 Minutos’, levou à recolha preventiva de produtos e à abertura de investigações em vários países.

Segundo as autoridades alemãs, os suspeitos enviaram um e-mail à sede da Hipp na Alemanha a 27 de março último, exigindo o pagamento até 1 de abril. A mensagem ameaçava a distribuição de frascos adulterados nesses três países caso a empresa não pagasse. No entanto, a Hipp só terá visto o e-mail a 16 de abril, já depois do prazo imposto pelos extorsionistas.

A empresa afirma ser vítima de um “caso de extorsão e manipulação” e garante que os produtos saíram da fábrica em perfeitas condições. Em comunicado, a Hipp Austria sublinha que a recolha está relacionada com um ato criminoso que está a ser investigado pelas autoridades.

Frascos retirados antes de serem consumidos

As autoridades da Áustria, da República Checa e da Eslováquia apreenderam cinco frascos de 190 gramas de comida para bebé da marca Hipp, do sabor ‘cenoura e batata’, que terão sido adulterados por desconhecidos. Segundo a informação disponível, os produtos foram confiscados antes de poderem ser consumidos.

Continue a ler após a publicidade

Um dos frascos, apreendido num supermercado no leste da Áustria, continha 15 microgramas de veneno para ratos, confirmou o Ministério Público de Eisenstadt, cidade situada a cerca de 60 quilómetros de Viena. As análises aos restantes frascos e avaliações toxicológicas adicionais continuam em curso.

O Ministério Público austríaco está ainda a analisar que efeitos uma dose deste tipo poderia ter no organismo de uma criança, incluindo se poderia ser fatal. Os resultados deverão ser conhecidos no final da próxima semana.

Investigação alargada a vários países

Continue a ler após a publicidade

Na Áustria, o Ministério Público abriu uma investigação por “colocar em risco a ordem pública” e outra por “tentativa de lesão corporal grave intencional”. As autoridades alemãs também investigam o caso por suspeita de tentativa de extorsão contra a fabricante de alimentos infantis.

O alerta levou a uma resposta rápida no retalho. Na Áustria, todos os produtos Hipp foram retirados das lojas Spar na noite de 17 para 18 de abril. Outras redes de supermercados da região também suspenderam a venda do produto por precaução.

Apesar das apreensões, as buscas continuavam na sexta-feira por um segundo frasco adulterado que terá sido vendido na mesma loja da cadeia Spar em Eisenstadt.

Hipp garante que produtos saíram intactos da fábrica

A Hipp insiste que a adulteração não ocorreu no processo de fabrico. A empresa sustenta que os frascos saíram da fábrica em condições normais e que a recolha dos produtos está relacionada com uma ação criminosa externa.

Continue a ler após a publicidade

Essa posição é central para a investigação. O caso está a ser tratado não como um problema industrial ou de controlo de qualidade, mas como uma tentativa de extorsão com manipulação de produtos alimentares destinados a bebés.

As autoridades procuram agora determinar quem esteve por trás da ameaça enviada à empresa, como os frascos foram adulterados e de que forma entraram ou poderiam entrar no circuito comercial.

Substâncias podem provocar hemorragias

Embora o foco da investigação esteja na tentativa de extorsão, as autoridades de saúde austríacas explicaram que os rodenticidas podem conter substâncias como a bromadiolona, um antagonista da vitamina K que afeta a coagulação sanguínea.

A ingestão deste tipo de substâncias pode provocar hemorragias, incluindo sangramento das gengivas ou do nariz, hematomas ou sangue nas fezes. Os sintomas podem surgir entre dois e cinco dias após a ingestão.

O caso mantém as autoridades em alerta, sobretudo porque envolve produtos alimentares destinados a crianças. Ainda assim, a informação conhecida até agora aponta para uma operação criminosa de extorsão e adulteração, e não para uma falha de fabrico da Hipp.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.