Exército ucraniano bombardeia forças russas em homenagem a português morto na guerra

O exército de Kiev tem levado a cabo ataques dirigidos às tropas russas com munições e drones onde inscrevem mensagens em português, numa clara demonstração de tributo ao combatente luso.

Pedro Gonçalves
Junho 18, 2025
12:54

O nome de Jerónimo Guerreiro, cidadão português que perdeu a vida em combate na Ucrânia no final de maio, continua a ecoar na frente de batalha, agora como símbolo de resistência e homenagem por parte das forças armadas ucranianas. O exército de Kiev tem levado a cabo ataques dirigidos às tropas russas com munições e drones onde inscrevem mensagens em português, numa clara demonstração de tributo ao combatente luso.

De acordo com informações e imagens exclusivas obtidas pelo Correio da Manhã, os militares ucranianos dispararam recentemente contra posições russas utilizando munições com a inscrição “Vingança por Juliet”, numa alusão ao nome de código de Jerónimo Guerreiro — Juliet — utilizado durante o seu tempo no campo de batalha. Além disso, os ucranianos estão a equipar drones com frases como “Eterno Juliet”, igualmente escritas em português, reforçando o simbolismo do gesto.

Jerónimo Guerreiro, natural da Grande Lisboa, tinha chegado à Ucrânia em fevereiro de 2024, integrando o corpo de voluntários estrangeiros que combate ao lado das forças ucranianas. Após uma primeira intervenção na região de Zaporíjia onde participou em operações perto da central nuclear que tem sido alvo de combates intensos, deslocou-se para o leste do país, em março de 2025, para apoiar os esforços militares naquela frente. Foi precisamente na região de Kupiansk que viria a perder a vida, durante uma operação no passado dia 29 de maio.

Antes de embarcar para a guerra na Ucrânia, Jerónimo Guerreiro tinha servido durante quatro anos no Exército português, com funções de condutor e paraquedista. Além da sua carreira militar, foi também membro dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, tendo desempenhado funções no âmbito da proteção civil.

Até ao momento, o corpo de Jerónimo Guerreiro permanece por recuperar. As autoridades portuguesas, através da embaixada em Kiev, continuam a realizar diligências junto das entidades ucranianas no sentido de localizar e repatriar os restos mortais do combatente português.

Com a morte de Jerónimo Guerreiro, eleva-se para cinco o número de cidadãos portugueses que perderam a vida no conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Entre as vítimas contam-se ainda o luso-britânico Mike Riley, e os portugueses João Natário, Gonçalo Saraiva Graça e Bruno Faria.

Segundo informações apuradas pelo Correio da Manhã, permanecem atualmente no teatro de operações cinco voluntários portugueses que continuam a combater integrados em unidades que apoiam o exército ucraniano.

Entre os camaradas de armas e amigos, Jerónimo Guerreiro era descrito como uma verdadeira “máquina de combate”, um homem determinado que se destacou no terreno pelas suas capacidades e pela dedicação à causa ucraniana. Agora, o seu nome continua a servir de inspiração àqueles que, como ele, escolheram defender a soberania da Ucrânia frente à invasão russa.

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