Pela primeira vez desde 1999, não se realizou a habitual reunião de balanço do processo de classificação dos exames nacionais antes do envio das notas para afixação nas escolas.
Segundo a ‘CNN Portugal’, o encontro juntava normalmente o presidente do Júri Nacional de Exames, representantes da Inspeção-Geral da Educação e Ciência e os coordenadores dos secretariados regionais do JNE.
Uma fonte próxima do processo garantiu que, até ao momento, nenhum coordenador regional foi convocado para a reunião, que servia também para analisar dificuldades e preparar eventuais correções antes da segunda fase dos exames.
O encontro não está previsto como obrigatório na lei, mas era realizado há vários anos e considerado uma prática importante de gestão e avaliação interna.
“Era de bom tom e de boas práticas de gestão” e permitia “melhorar o processo na segunda fase, fosse esse processo qual fosse”, afirmou a fonte citada pela CNN Portugal.
Presidente do JNE tem de homologar classificações
O despacho normativo que regula o Júri Nacional de Exames determina que compete ao presidente do organismo homologar as classificações das provas finais do ensino básico, dos exames nacionais do secundário e das provas realizadas a nível de escola com equivalência nacional.
Cabe-lhe igualmente autorizar a afixação das respetivas pautas nos estabelecimentos de ensino.
Apesar de a reunião de balanço não ser uma exigência legal, realizava-se antes de as classificações serem enviadas às escolas e permitia que os responsáveis regionais apresentassem problemas detetados durante a correção.
Ministro admitiu que ainda havia provas por corrigir
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu esta quinta-feira de manhã que a classificação de todas as provas ainda não estava concluída.
O governante garantiu, contudo, que as notas das primeiras provas já encerradas seriam enviadas às escolas durante a tarde.
A ausência da reunião ocorre num ano marcado por falhas e atrasos no novo sistema de classificação digital dos exames nacionais.
Experiência de Filosofia também não terá sido avaliada
A mesma fonte adiantou à ‘CNN Portugal’ que, pelo menos até ao final de janeiro, não tinha sido realizada qualquer reunião entre a tutela e os responsáveis do JNE para avaliar a experiência de classificação digital aplicada no ano letivo anterior ao exame de Filosofia.
O balanço dessa experiência terá sido feito apenas durante a habitual reunião entre os coordenadores regionais, a presidência do JNE e representantes da Inspeção-Geral da Educação e Ciência.
Esse encontro assumia, por isso, especial importância antes da generalização do sistema digital a outras provas nacionais.
Serviços terão alertado para os riscos
A fonte assegura ainda que os serviços alertaram o Ministério da Educação para os riscos de alargar já este ano a classificação digital ao conjunto dos exames.
O processo ficou marcado por dificuldades informáticas, problemas na distribuição das respostas pelos professores classificadores e sucessivos atrasos no cumprimento do calendário inicialmente previsto.
A falta da reunião de balanço não impede formalmente a homologação das classificações, mas elimina um momento de avaliação conjunta que, durante mais de duas décadas, antecedeu a divulgação das notas e ajudou a preparar a fase seguinte dos exames.



















