Exames Nacionais: escolas obrigadas a inserir dados à mão para alunos consultarem provas digitais

A disponibilização digital dos exames nacionais aos alunos vai obrigar as escolas a realizar um novo processo administrativo de grande dimensão, com a introdução manual dos dados de mais de 166 mil estudantes e dos respetivos encarregados de educação numa plataforma informática.

Revista de Imprensa

A disponibilização digital dos exames nacionais aos alunos vai obrigar as escolas a realizar um novo processo administrativo de grande dimensão, com a introdução manual dos dados de mais de 166 mil estudantes e dos respetivos encarregados de educação numa plataforma informática. A medida surge na sequência da decisão do Ministério da Educação, Ciência e Inovação de permitir que os alunos consultem gratuitamente as provas corrigidas antes de decidirem se avançam com um eventual pedido de reapreciação, mas acrescenta uma nova tarefa às direções escolares numa fase já marcada pela divulgação das classificações e pelo arranque das matrículas.

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Segundo avança o Jornal de Notícias (JN), apenas as escolas dispõem da informação necessária para associar cada exame ao respetivo aluno, uma vez que as cerca de 350 mil provas, cuja digitalização foi centralizada na Casa da Moeda, em Lisboa, se encontram anonimizadas. Apesar de o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, ter anunciado na semana passada que o acesso às provas seria “automático e gratuito”, os diretores escolares dizem desconhecer ainda em que plataforma terão de trabalhar e que procedimentos deverão seguir, sublinhando que, até ao final de terça-feira, continuavam sem receber o guião operacional prometido pelo ministério.

A necessidade de inserir manualmente milhares de registos preocupa os responsáveis escolares, sobretudo porque coincide com um período de intensa atividade administrativa. Citado pelo JN, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, alerta que este será “trabalho acrescido para as escolas, para as equipas diretivas, para o secretariado de exames ou para os vice-administrativos”, acrescentando que caberá a cada diretor encontrar recursos humanos disponíveis para cumprir a tarefa “num prazo muito curto, muito rápido”. Ao final do dia de terça-feira, o Ministério da Educação informou apenas que as associações de diretores já tinham recebido informações gerais e garantiu que as escolas receberiam um documento com todas as orientações necessárias.

Entretanto, os problemas associados ao processo de classificação continuam a acumular-se. Na terça-feira, último dia inicialmente previsto para a correção dos exames, o Governo prolongou o prazo por mais 24 horas devido à necessidade de voltar a digitalizar algumas provas e de reclassificar itens anteriormente avaliados, permanecendo cerca de 2% das respostas ainda por corrigir. Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública, denunciou que continuavam a ser convocados professores classificadores e referiu a existência de novas falhas, incluindo exames sem indicação da versão realizada, obrigando o Júri Nacional de Exames a solicitar essa informação às escolas para permitir a classificação automática das perguntas de escolha múltipla.

As sucessivas dificuldades alimentam também receios quanto ao número de pedidos de reapreciação. A Federação Nacional da Educação já alertou para um possível aumento excecional destes processos, preocupação igualmente manifestada por vários professores classificadores. Cristina Mota considera que o sistema de classificação “está a trazer bastantes constrangimentos” e rejeita a ideia de que se trate de problemas pontuais, afirmando que, além da pressão e do desgaste sentidos pelos docentes, existe uma crescente incerteza relativamente à avaliação externa dos alunos. Perante este cenário, vários professores defendem mesmo o adiamento da segunda fase dos exames nacionais para setembro, numa altura em que faltam apenas dois dias para a divulgação oficial das pautas.

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