Exames Nacionais: Alunos podem fazer a 2.ª fase amanhã e a época especial de setembro? “Não pensámos nisso”, admite ministro

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu esta segunda-feira que o Ministério da Educação não equacionou a possibilidade de alguns alunos realizarem simultaneamente a 2.ª fase dos exames nacionais, que começa já esta terça-feira, e a época especial anunciada para setembro.

Pedro Zagacho Gonçalves

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu esta segunda-feira que o Ministério da Educação não equacionou a possibilidade de alguns alunos realizarem simultaneamente a 2.ª fase dos exames nacionais, que começa já esta terça-feira, e a época especial anunciada para setembro. A declaração foi feita durante a conferência de imprensa em que o governante voltou a pedir desculpa pelos problemas registados na classificação digital dos exames nacionais e anunciou um conjunto de medidas destinadas a garantir que nenhum estudante seja prejudicado no acesso ao ensino superior.

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Fernando Alexandre foi hoje questionado sobre o caso dos alunos que apenas esta segunda-feira receberam, ou continuam a receber, as classificações da 1.ª fase e que, por isso, praticamente não dispõem de tempo para decidir se devem inscrever-se na 2.ª fase dos exames, cujo calendário arranca já no dia seguinte. Confrontado com essa hipótese, o ministro respondeu de forma direta: “Não pensámos nisso, mas diria que devia fazer só a época especial.”

A resposta deixou em aberto uma das principais dúvidas levantadas pelos atrasos e erros verificados no processo de avaliação externa. Muitos alunos só conheceram agora as classificações ou continuam sem acesso à informação necessária para avaliar se precisam de repetir um exame para melhorar a nota ou garantir aprovação. Com a inscrição para a 2.ª fase a coincidir praticamente com a realização das primeiras provas, vários estudantes enfrentam dificuldades em tomar uma decisão informada.

Apesar destas incertezas, Fernando Alexandre confirmou que a 2.ª fase dos exames nacionais decorrerá conforme o calendário já definido, arrancando esta terça-feira, 21 de julho. Nesse dia realizam-se as provas de Português, Português Língua Segunda, Português Língua Não Materna, Literatura Portuguesa, Economia A, História da Cultura e das Artes e Latim, mantendo-se igualmente o restante calendário previsto para esta fase.

Como resposta aos constrangimentos provocados pela classificação digital, o Ministério anunciou, contudo, a criação de uma época especial de exames no início de setembro, destinada aos alunos que “não disponham de toda a informação necessária para decidir se devem ir à 2.ª fase dos exames nacionais”. Segundo explicou o ministro, estes estudantes não serão prejudicados no acesso ao ensino superior, uma vez que essa época especial terá o mesmo valor que uma 2.ª fase normal e será acompanhada por alterações ao calendário da 2.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, cujas datas serão divulgadas posteriormente.

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Na prática, os alunos que realizarem exames nessa época especial continuarão a concorrer através da 2.ª fase do concurso nacional, tal como aconteceria caso optassem agora pela 2.ª fase dos exames. A principal diferença residirá no ajustamento dos prazos e, inevitavelmente, num eventual atraso no calendário académico para este grupo de estudantes, que o ministro considerou ser uma minoria.

Contudo, permanecem dúvidas sobre quem poderá beneficiar desta solução extraordinária. Questionado sobre os critérios, Fernando Alexandre afirmou que “diria que têm direito a ir à época especial todos os alunos que tenham constatado desconformidades no PDF da prova que realizaram”. Durante a conferência de imprensa, deu como exemplo os casos em que a classificação venha a ser alterada devido a problemas relacionados com a digitalização das provas, acrescentando que o Júri Nacional de Exames (JNE) e o EduQA divulgarão posteriormente regras mais detalhadas.

Entre essas desconformidades incluem-se diversas situações já identificadas pelos alunos e pelas escolas. Há estudantes com classificações suspensas, outros que detetaram erros na soma das cotações, provas em que as classificações parcelares não aparecem discriminadas, casos em que ainda não foi disponibilizada a cópia digital do exame e até situações em que os alunos receberam páginas que não correspondem às provas que realizaram. Todos estes cenários podem comprometer a capacidade de decidir, em tempo útil, se vale a pena repetir o exame.

O ministro revelou igualmente que, às 11h30 desta segunda-feira, tinham sido disponibilizadas cerca de 180 mil das aproximadamente 290 mil provas realizadas na 1.ª fase, o que significa que uma parte significativa dos estudantes continuava sem acesso à digitalização dos exames e respetivas classificações detalhadas.

Fernando Alexandre voltou a garantir que nenhum aluno será prejudicado por estas falhas, reiterando o pedido de desculpas dirigido aos estudantes, famílias, professores e escolas. “Lamentamos e pedimos desculpa, mais uma vez, pela perturbação causada na vida dos alunos numa altura decisiva para o seu futuro, das famílias, dos professores e das escolas”, afirmou.

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Relativamente às notas classificadas como “suspensas”, o governante defendeu que se trataram de situações pontuais e justificou a decisão com a necessidade de assegurar o rigor do processo. Segundo explicou, “não pode ser publicada uma nota se existir uma dúvida sobre a classificação”, sublinhando que a prioridade foi garantir a correção das avaliações antes da sua divulgação.

Apesar dos problemas registados nas últimas semanas, Fernando Alexandre reafirmou a confiança no sistema de classificação eletrónica, assegurando que este será mantido na 2.ª fase dos exames nacionais. O ministro admitiu, contudo, que serão introduzidos “melhoramentos estruturais” no processo e mostrou-se convicto de que a nova fase das provas nacionais poderá decorrer “com toda a tranquilidade”, procurando restabelecer a confiança dos alunos num momento decisivo do calendário escolar e do acesso ao ensino superior.

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