Exame de sangue deteta cancro quatro anos antes dos sintomas, confirmam investigadores na China

A equipa de investigadores, a trabalhar na China, está a desenvolver um teste que identifica cancros até quatro anos antes dos sintomas aparecerem.

Sónia Bexiga

Um exame de sangue pode detetar cancros até quatro anos antes que os sintomas apareçam, anunciou, esta terça-feira, uma equipa de investigadores na apresentação do seu último estudo sobre deteção precoce desta casos, noticia o ‘The Guardian’.

O grupo de trabalho, liderado por investigadores na China, revelou que o exame de sangue não invasivo – batizado de ‘PanSeer’ – poderá detetar cancros em 95% dos indivíduos que não apresentem sintomas e posteriormente vão receber esse diagnóstico.

“Conseguimos demonstrar que cinco tipos de cancro podem ser detetados através de um exame de sangue baseado no estudo do DNA, numa antecipação até quatro anos antes do diagnóstico convencional”, escreveu a equipa na revista ‘Nature Communications’.

Segundo os especialistas, estes testes, conhecidos como biópsias líquidas, tornaram-se o foco de muitas pesquisas, pois oferecem uma forma não invasiva de rastrear os pacientes.

Este novo estudo não é o primeiro a relatar resultados positivos para um exame de sangue para detecção precoce de câncer. No entanto, a equipa não deixa de sublinhar que a pesquisa foi um processo “empolgante” porque mostrou que os cancros podiam ser detetados antes que os pacientes mostrassem qualquer sintoma, sendo que tal feito muito poucos estudos conseguiram demonstrar.

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Para desenvolver este teste, a equipa usou amostras de plasma sanguíneo recolhidas de indivíduos residentes na China entre 2007 e 2014. No geral, foram utilizadas 414 amostras de participantes que permaneceram livres de cancro pelo menos cinco anos após a colheita do sangue e 191 amostras de participantes diagnosticadas com cancro do estômago, colorretal, fígado, pulmão ou esófago nos quatro anos seguintes ao sangue ter sido recolhido.

Também foram usadas amostras de biobancos de 223 pacientes já diagnosticados com um dos cinco cancros referidos.

Os resultados revelaram que o PanSeer sinalizou cancro em 88% dos participantes que já haviam sido diagnosticados e em 95% dos participantes que não foram diagnosticados com cancro, mas posteriormente desenvolveram a doença. O teste identificou corretamente os que não tinham cancro 96% das vezes.

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Ainda assim, assumem que o estudo tem limitações, incluindo o facto de ser baseado num número relativamente pequeno de amostras, bem como o armazenamento não ter sido o ideal, levantando algumas preocupações sobre a possível contaminação. Além disso, o teste não consegue identificar qual o tipo de cancro que o indivíduo tem.

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