Ex-responsável da NATO avisa que forças de paz devem estar preparadas para combater a Rússia

A eventual implantação de forças de manutenção da paz europeias na Ucrânia não só é viável, como deve ser encarada com um planeamento cuidadoso e uma prontidão para agir de forma decisiva, independentemente da reação russa.

Pedro Gonçalves
Março 17, 2025
13:59

A eventual implantação de forças de manutenção da paz europeias na Ucrânia não só é viável, como deve ser encarada com um planeamento cuidadoso e uma prontidão para agir de forma decisiva, independentemente da reação russa. A afirmação foi feita por Stefanie Babst, ex-chefe do gabinete de planeamento estratégico da NATO, em entrevista à agência Ukrinform.

“A missão deve estar pronta para combater a Rússia, se necessário”

Para Babst, a definição de uma missão clara é o primeiro passo essencial para uma operação deste tipo. “Identificar o objetivo correto para uma missão como esta é o primeiro passo importante. O segundo é atribuir as capacidades militares e forças necessárias. Mas, no geral, penso que seria exequível”, afirmou.

Com uma experiência de 22 anos nas estruturas internacionais da NATO, Babst sublinhou a complexidade de planear uma operação militar desta envergadura. A força destacada teria de ser suficientemente robusta para dissuadir a Rússia de continuar os seus ataques contra a Ucrânia.

“E deve estar preparada, se necessário, para combater a Rússia”, acrescentou.

A antiga responsável da NATO considera que recorrer à Aliança Atlântica para esta iniciativa não é uma solução realista neste momento. Em vez disso, defende que a única opção viável é a criação de uma Coalition of the Willing (Coligação dos Dispostos), um grupo de países que, por iniciativa própria, assumam a responsabilidade da missão.

Babst reconhece que Moscovo reagiria com protestos, ameaças e agressividade caso tropas de manutenção da paz de países da NATO fossem enviadas para a Ucrânia. No entanto, considera que tal não deve impedir a Europa de avançar com a iniciativa.

“Não devemos deixar que isso nos detenha. Afinal, a Ucrânia só estará segura se um dissuasor ocidental suficientemente robusto enviar a Moscovo um sinal claro: luz vermelha. Você pára aqui”, afirmou.

Desde o início da invasão russa em grande escala, Babst tem insistido na necessidade de o Ocidente alterar a dinâmica estratégica do conflito. No entanto, lamenta a falta de coragem dos aliados da NATO para agir decisivamente, o que, segundo ela, resultou em três anos perdidos e na incapacidade de travar eficazmente a Rússia.

Em março deste ano, o Reino Unido liderou conversações com representantes de cerca de 20 países interessados em formar uma Coalition of the Willing, tendo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que o Reino Unido e a França estão à frente do projeto para o envio de tropas da coligação para a Ucrânia, numa missão de manutenção da paz.

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