Tem 39 anos, foi professor, trabalha como designer e é descrito como militante anarco-libertário. Nelson Vassalo é o homem apontado como autor do ataque com um ‘cocktail molotov’ contra participantes da ‘Marcha pela Vida’, junto ao Parlamento, em Lisboa, a 21 de março, num caso que está agora a ser investigado pelas autoridades, segundo o ‘Correio da Manhã’.
Com presença ativa nas redes sociais e um percurso marcado por posições políticas radicais, o suspeito terá passado pelos Estados Unidos, onde se terá intensificado o processo de radicalização. Após regressar a Portugal, aproximou-se de movimentos de extrema-esquerda, mantendo também ligação ao Partido Socialista.
No dia do ataque, terá aguardado pela chegada dos manifestantes da iniciativa contra o aborto e a eutanásia para lançar o engenho incendiário. Apesar da gravidade do ato, não houve feridos, mas os danos e a natureza do artefacto levaram as autoridades a classificar o caso como potencial crime de natureza terrorista.
O ‘Correio da Manhã’ escreve que o suspeito já estava referenciado pelas autoridades. Após o incidente, foi inicialmente intercetado no local pela PSP, que apreendeu os restos do engenho e um cartão de militante do PS. Só depois da análise laboratorial confirmar tratar-se de um engenho explosivo é que o caso ganhou outra dimensão, passando para a esfera da Unidade de Coordenação Antiterrorista e da Polícia Judiciária.
A ligação ao Partido Socialista apanhou o partido de surpresa. A direção liderada por José Luís Carneiro avançou com a suspensão preventiva do militante e abriu um processo disciplinar que pode levar à expulsão, sublinhando que não tolera qualquer forma de violência.
Entretanto, o suspeito foi detido pela Polícia Judiciária e será presente a juiz para conhecer as medidas de coação, numa investigação que continua a apurar motivações e eventuais ligações a redes ou movimentos mais amplos.



