Ex-presidente dos SPMS admite que não há dinheiro para manter SNS24 até ao final do ano

O ex-presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), afastado das funções na passada quarta-feira, admitiu que a causa do seu afastamento «só pode ser por incómodo».

Executive Digest

O ex-presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), afastado das funções na passada quarta-feira, admitiu em entrevista à “Rádio Observador” que a causa do seu afastamento «só pode ser por incómodo». Henrique Martins disse mesmo que com «um aumento enorme [de verbas] para a saúde» previsto para 2020 não «devia gerar incómodo pedir orçamento, só se não fosse justificado».

O novo Conselho de Administração, presidido por Luís Goes Pinheiro, antigo secretário de Estado adjunto e da Modernização Administrativa, já vinha «sendo preparado» há pelo menos duas ou três semanas, estima. 

«A dotação orçamental neste momento não chega sequer para o funcionamento normal do SNS24. Para o final do ano, não teríamos capacidade de pagar o serviço, teríamos de desligá-lo», alertou Henrique Martins, detalhando que  os cortes orçamentais começaram em 2018, ano em que o Orçamento do Estado previu uma redução orçamental de nove milhões de euros. Nesse ano, os SPMS receberam 90,4 milhões de euros, que passaram para 76,3 milhões em 2020, perdendo-se «capacidade de trabalho». 

Com o avançar do Covid-19, o aumento da procura pela linha SNS24 sobrecarregou os serviços: «Com esta crise os recursos vão esgotar-se mais depressa (…). «[O orçamento] não chega sequer para o serviço normal».

Na quinta-feira, recorde-se que um quarto das chamadas da Linha SNS24 ficaram por responder no dia 2 de Março, pico de procura. «Sinalizámos na segunda-feira a urgência de afectação de equipas» e na terça-feira foi apresentada uma proposta à tutela, diz o ex-presidente.

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