Ex-banqueiro do Goldman Sachs acusado de suborno em África

O executivo usou uma empresa turca para subornar as autoridades ganenses. A investigação em curso recaiu inteiramente sobre Asante Berko e o banco norte-americano foi deixado de fora.

Sónia Bexiga

O ex-banqueiro do Goldman Sachs, Asante Berko, terá ajudado a transferir milhões de dólares em subornos às autoridades ganenses para obter o seu apoio na construção de uma fábrica por clientes do banco, segundo alega a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, citada pelo Financial Times.

A Comissão alega, em queixa registada em Nova Iorque, que Asante Berko “deliberadamente, tomou medidas para impedir a administração do banco de detectar o esquema de suborno”, esclarecendo, desde logo, que o banco não enfrenta nenhuma acusação.

O Goldman fica assim excluído deste processo, sendo que ainda está a enfrentar uma investigação dos EUA sobre o caso de apropriação indevida de um montante avultado e de subornos na Malásia. Berko era consultor executivo da filial do Goldman em Londres na época destes supostos crimes (2015 a, pelo menos, 2016).

Quanto à investigação sobre a atuação do banqueiro no Gana, aponta para o facto de ter contratado uma empresa de energia turca, que não foi nomeada, para canalizar entre 2,7 a 4,1 milhões de dólares para uma empresa de serviços públicos do Gana. O objetivo seria usar os fundos para subornar autoridades governamentais que poderiam aprovar os planos da empresa cliente de construir uma fábrica.

Berko, cidadão norte-americano, também efetuou pagamentos de mais de 200 mil dólares em subornos a outras autoridades governamentais e pessoalmente pagou mais de 60 mil dólares a membros do governo e outras autoridades do Gana, de acordo com o órgão regulador dos EUA.

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“Berko orquestrou um esquema para subornar as autoridades ganenses de alto nível para obter negócios para a empresa e para o seu próprio enriquecimento”, disse Charles Cain, chefe da unidade que lida com a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior da Comissão.

“A má conduta de Berko foi escandalosa e a responsabilidade individual continua a ser uma componente essencial dos nossos esforços para cumprir a a nossa missão”, acrescentou Cain, enfatizando que o Goldman Sachs “tomou as medidas apropriadas para impedir a empresa de participar da transação, e nenhuma cobrança foi feita”.

“O Goldman Sachs cooperou o tempo todo com a investigação e tomou as medidas apropriadas para impedir que a empresa participasse da operação”, explicou uma porta-voz da banco.

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O advogado de Berko, Carl Loewenson, da Morrison Foerster, informou que não faria “declarações neste momento”.

Importa salientar que Berko anunciou a demissão do Goldman em dezembro de 2016, tendo entrado em vigor no mês de março seguinte. Em janeiro deste ano, Berko foi nomeado CEO da Refinaria de Petróleo Tema em Gana.

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