Evolução das presidenciais em Portugal: de Ramalho Eanes ao fenómeno Soares, passando pela tradição dos 2 mandatos

Dentro de pouco mais de duas semanas, no dia 24 de Janeiro, Portugal irá votar para decidir quem será o próximo Presidente da República. Será que Marcelo Rebelo de Sousa assegura um novo mandato ou um dos outros candidatos consegue conquistar votos suficientes para se mudar de malas e bagagens para Belém?

Em antecipação das próximas eleições em território nacional, a Pordata faz um resumo da história presidencial de Portugal, desde que António Ramalho Eanes foi eleito primeiro Presidente da República livremente, por sufrágio directo e universal. Com quase três milhões de votos, foi o escolhido pelos portugueses a 27 de Junho de 1976. Nesse ano, a taxa de abstenção tinha sido de 24,6%.

Desde então, foram realizadas nove eleições presidenciais em Portugal, somando um total de 45.671.767 votos nas urnas. O acto eleitoral com mais votos foi o de 1986, quando se registaram 5.880.078 boletins válidos.

Segundo o projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, nota-se, com o avançar dos anos, um aumento nas opções de escolha dos portugueses: a última eleição presidencial contou com 10 candidatos, quase o dobro dos candidatos da eleição anterior. No total das últimas quatro décadas, houve 38 candidatos únicos, desde Mário Soares a Freitas do Amaral, passando Francisco Louçã, Ferando Rosas, Jorge Sampaio, Sampaio da Nóvoa, Manuel Alegre ou Jerónimo de Sousa.

Neste total, contabilizam-se apenas duas mulheres: Maria de Lourdes Pintasilgo (1986), Maria de Belém Roseira (2016) e Marisa Matias (2016). Este ano, Marisa Matias é de novo candidata e junta-se também Ana Gomes.

Quem vota?

Quanto ao eleitoral, a Pordata indica que, na última eleição presidencial, o universo de eleitores recenseados era composto por 96,6% de cidadãos residentes em Portugal e por 3,1% de portugueses residentes no estrangeiro.

Os Açores destacam-se por serem, desde 1976, a região portuguesa com níveis de participação nas eleições presidenciais mais baixos. Em 1976, a taxa de abstenção na região doi de 32,2%. Em 2016, chegou aos 69,1%.

Por outro lado, o Norte é a região onde se regista uma participação eleitoral mais elevada quando chega a altura de escolher o Presidente da República: 22,2% de abstenção em 1976 e 48,9% em 2016. Nas últimas quatro décadas, a taxa de abstenção desta região foi sempre inferior à taxa nacional.

A nível municipal, a análise da Pordata aponta para Avis como o município responsável pelo máximo histórico de participação em eleições presidenciais: em 1980, 92,4% dos eleitores recenseados votaram. Já nas eleições de 2016, Vila de Rei destacou-se com 67,2%.

No sentido, inverso, Mação, Sardoal e Vila de Rei são os únicos municípios onde a taxa de abstenção foi inferior a 40% em qualquer das eleições presidenciais, desde 1976.

Estatísticas do lado de Marcelo Rebelo de Sousa

Desde a primeira eleição presidencial livre, todos os candidatos vencedores foram reeleitos para um segundo mandato, o que significa que as estatísticas estão do lado do actual Presidente da República. Tanto Ramalho Eanes como Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva cumpriram dois mandatos.

O fenómeno Soares

Em 1986, Mário Soares e Freitas do Amaral vão a uma segunda volta nas eleições presidenciais, que acabaram com a vitória do primeiro. De acordo com a Pordata, esta foi a única eleição presidencial decidida numma segunda volta.

Mário Soares foi também o Presidente da República eleito com maior votação: em 1991, na sua segunda candidatura, somou 3.460.365 votos, ou seja, o equivalente a 70,4% dos votantes.

Votos brancos e votos nulos com pouca expressão

Nas últimas quatro décadas, o número de votos nulos variou ente 34.729 (0,6%), em 1986, e 86.581 (1,9%), em 2011, de acordo com a Pordata. Já os votos brancos registaram o valor mais elevado em 2011 (4,3%).

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