A China é o país do mundo cujo crescimento económico mais acelerou depois da pandemia, seguindo a tendência positiva da última década. O modelo de incremento desta economia gerou um superavit na conta corrente de 10% do PIB, o maior do mundo.
Com a crise financeira de 2008, este modelo esgotou-se. Pequim mudou a direção da sua política económica para a procura e para o investimento interno, um modelo alimentado por um enorme endividamento do setor privado (empresas e famílias), gerando uma bolha de dívida, insustentável a longo prazo, que promete o advento de maus pagadores, como o Evergrande.
Desde 2009, A dívida privada do país subiu para quase 300% do PIB, uma subida considerável face aos 117%, contabilizados em 2008, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas da China.
Depois do Evergrande, o mercado pregunta-se agora se vai começar um “efeito dominó” em queda, começando pelo setor imobiliário, um dos pilares do crescimento económico da China nas últimas décadas, representa 7,5% do PIB do país.
Esta terça-feira, à semelhança de outras instituições, o banco Citi reduziu a sua estimativa de crescimento da economia chinesa para o próximo ano de 5,5%, para 4,9%, justificando a sua decisão com o possível “contágio financeiro provocado pelos problemas enfrentados pelo Evergrande”, projetando ainda uma redução dos juros”.
“O balanço entre risco moral e riscos de contágio apontam para uma reestruturação”, escreveu Xiangrong Yu, do Citi, numa nota enviada aos clientes.
O Evergrande não conseguiu pagar aos investidores um cupão de 83,5 milhões de dólares, com vencimento expirado na passada sexta-feira, estando neste momento num período de carência de 30 dias, após o qual entrará em incumprimento definitivo.
As ações da Evergrande New Energy Vehicle (NEV) caíram cerca de 10% depois de a empresa ter anunciado estar a passar por dificuldades financeiras. Desde o início do ano, as ações desta empresa já sofreram uma queda de 94% no mercado de Hong Kong.














