Eventual ordem de Putin para um ataque nuclear no Ocidente seria ignorada porque os comandantes “pensam que está a morrer”, diz especialista

Acreditando que Putin poderia morrer em breve, o seu círculo íntimo não obedeceria a uma ordem de Putin para matar inimigos da oposição. 

Simone Silva

Uma possível ordem do presidente russo, Vladimir Putin, para atacar a Ucrânia ou o Ocidente com armas nucleares seria ignorada, porque os seus principais comandantes acreditam que está “a morrer ou gravemente doente”, referiu Christo Grozev, especialista em assuntos russos e sócio grupo de pesquisa de código aberto Bellingcat.

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Segundo o ‘Daily Mail’, que cita o especialista, acreditando que Putin poderia morrer em breve, o seu círculo íntimo não correria o risco de ser arrastado para o equivalente a um moderno julgamento de Nuremberg, nem obedeceria a uma ordem de Putin para matar inimigos da oposição.

Grozev foi questionado, numa entrevista televisiva, sobre os relatos de que a saúde de Putin está em declínio, ao que respondeu que apesar de não poder “falar sem informação”, sabe “que os oligarcas de seu círculo mais próximo afirmam que o líder russo está doente”.

“Também sabemos que o Lubyanka [serviço secreto russo] enviou uma carta há cerca de um mês a todos os chefes regionais. Dizia: ‘Se souber que ele tem uma doença muito grave, insistimos que não lhe preste atenção'”, acrescentou.

O responsável disse ainda: “Eu acho que não importa muito se ele está a morrer ou gravemente doente, o que importa é que as pessoas ao seu redor pensam assim. Isso muda a fórmula, esse é um fator para decidir o quão leais as pessoas sentem que deveriam ser para com ele”.

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“Acredito que esse fator – que as pessoas próximas dele pensem que não está bem em termos de saúde – diminui o risco de obedecerem à sua ordem de matar inimigos, como fizeram no passado”, sublinhou.

A par disso, concluiu, “a mesma razão torna improvável que alguém avance com um ataque nuclear, com o entendimento de que, se Putin se morrer daqui a três ou seis meses, ninguém os vai proteger de um julgamento em Nuremberg”.

Especialistas estão a observar atentamente as aparições públicas de Vladimir Putin em busca de mais sinais de problemas de saúde, na sequência de rumores atribuídos a um membro do Kremlin de que o presidente russo seria operado devido à doença.

Os rumores parecem ter se originado com o popular canal russo do Telegram ‘General SVR’, que alegou que os médicos de Putin tinham alertado que a operação poderia incapacitá-lo por “um curto período de tempo”, e que durante esse período o presidente entregaria brevemente o poder a um auxiliar

Não houve confirmação oficial sobre a suposta saúde de Putin, mas vídeos e fotos recentes que o mostram trémulo, inquieto e com aparência inchada alimentaram especulações de que o homem de 69 anos pode estar a sofrer de uma série de problemas, incluindo demência, Parkinson ou mesmo cancro.

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O presidente russo, recorde-se, colocou as forças nucleares de Moscovo em alerta máximo logo após a sua invasão da Ucrânia começar em 24 de fevereiro, levantando temores de que possa lançar um ataque, enquanto a guerra na Ucrânia continua contra ele.

E em sequência do crescente apoio ocidental à Ucrânia, Putin fez várias ameaças, sugerindo a disposição de implementar armas nucleares táticas da Rússia, que a doutrina militar russa sustenta que podem ser usadas para obrigar um adversário a recuar.

Enquanto isso, a Rússia tem recorrido cada vez mais à ameaça das armas nucleares, à medida que a guerra na Ucrânia falha, com a imprensa estatal na semana passada a emitir alertas quase diários – incluindo um para acabar com o Reino Unido e a Irlanda com uma “onda nuclear”.

Oito anos depois, a Rússia volta a estar no centro das atenções por ter invadido novamente a Ucrânia, em 24 de fevereiro, desencadeando uma guerra que provocou um número por determinar de mortos.

A guerra na Ucrânia provocou também mais de 5,5 milhões de refugiados, na pior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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