Eurovisão sem ‘truques’: Áustria deixa bandeiras palestinianas e vaias a Israel ecoarem no palco

Segundo a ‘Reuters’, a 70ª edição do concurso, marcada para maio, contará com apenas 35 participações, o número mais baixo desde 2003

Francisco Laranjeira

A emissora pública austríaca ORF, anfitriã do próximo Festival Eurovisão da Canção, garantiu que não irá proibir a exibição de bandeiras palestinianas na plateia nem recorrer a mecanismos para abafar eventuais vaias durante a atuação de Israel, contrariando práticas adotadas em edições anteriores.

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Segundo a ‘Reuters’, a 70ª edição do concurso, marcada para maio, contará com apenas 35 participações, o número mais baixo desde 2003. A redução resulta da decisão de cinco televisões públicas, entre as quais as de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Islândia e Eslovénia, de boicotar o evento em protesto contra a participação de Israel.

O que tradicionalmente é apresentado como uma celebração da diversidade nacional, da música pop e do espetáculo transformou-se num palco de tensão diplomática. Os países que optaram pelo boicote defendem que a sua presença seria incompatível com o elevado número de civis mortos em Gaza, na sequência da ofensiva israelita lançada após o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023.

ORF garante liberdade de expressão dentro da lei

Em conferência de imprensa, o produtor executivo do concurso, Michael Kroen, afirmou que serão permitidas “todas as bandeiras oficiais existentes no mundo”, desde que respeitem a legislação em vigor e critérios técnicos como dimensão e segurança. O responsável sublinhou que a organização não irá tentar suavizar ou ocultar as reações do público.

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“Não vamos dourar a pílula nem evitar mostrar o que está a acontecer, porque a nossa tarefa é mostrar as coisas como elas são”, afirmou.

A diretora de programação da ORF, Stefanie Groiss-Horowitz, confirmou que o som das vaias da plateia não será abafado, como aconteceu este ano durante a atuação de Israel, garantindo que não serão utilizados aplausos artificiais em momento algum.

Apoio austríaco contrasta com boicotes

A ORF e o Governo austríaco têm sido dos principais apoiantes da participação de Israel no concurso, apesar das objeções de vários países europeus. O diretor-geral da ORF, Roland Weissmann, visitou Israel em novembro para manifestar publicamente esse apoio.

A defesa da presença israelita surge num contexto mais amplo de críticas a tentativas de exclusão cultural. O CEO da emissora israelita KAN comparou recentemente os apelos para afastar Israel dos Jogos Olímpicos de 2026 a uma forma de “boicote cultural”.

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A representante de Israel, Yuval Raphael, esteve presente no festival de música Nova, alvo do ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, um episódio frequentemente citado por autoridades israelitas no debate internacional sobre cultura e política.

Audiências recorde apesar da controvérsia

Apesar da polémica, a União Europeia de Radiodifusão indicou que a edição mais recente do Festival Eurovisão da Canção atraiu cerca de 166 milhões de telespectadores em todo o mundo, um número superior aos cerca de 128 milhões que a Nielsen estima terem assistido ao Super Bowl.

A guerra em Gaza teve início após o ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, que causou a morte de 1.200 pessoas, a maioria civis, e resultou em 251 reféns. A ofensiva militar israelita de retaliação matou mais de 70.700 palestinianos, a maioria civis, segundo as autoridades de saúde de Gaza.

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