A maioria dos europeus considera que as pensões do Estado são demasiado baixas, mas não existe consenso quanto às reformas necessárias para garantir a sustentabilidade dos sistemas públicos, num contexto de rápido envelhecimento demográfico. Segundo a ‘Euronews’, apesar do reconhecimento generalizado dos problemas, as opções mais estruturais continuam a enfrentar forte resistência social.
Num momento em que Bruxelas pressiona os Estados-membros a reforçarem os regimes privados de pensões, a maioria dos cidadãos em França, Alemanha, Espanha e Itália considera que o atual sistema público já é financeiramente incomportável. Ainda assim, esses mesmos inquiridos entendem que as pensões atribuídas não são suficientemente generosas e rejeitam soluções como o aumento da idade da reforma, de acordo com um inquérito da YouGov.
Os dados refletem um dilema crescente nos países europeus com maior peso da despesa social. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a Grécia e a Itália são os países que destinam a maior percentagem do rendimento nacional às pensões públicas, cerca de 16% do PIB. Seguem-se a Áustria, a França e Portugal, onde a despesa com pensões representa entre 13% e 14% do produto interno bruto, sublinha a ‘Euronews’.
A perceção de insustentabilidade futura é particularmente forte entre as gerações mais jovens. Cerca de dois terços dos inquiridos em França, Alemanha e Espanha afirmam que o sistema de pensões do Estado será incomportável quando as pessoas que hoje têm entre 30 e 40 anos atingirem a idade da reforma. Em contraste, os atuais pensionistas mostram-se mais otimistas quanto à capacidade dos seus países para financiar o regime público.
O receio de uma reforma financeiramente insuficiente é transversal a vários Estados-membros. Mais de 70% dos italianos e polacos em idade ativa dizem não confiar que terão rendimentos suficientes para uma reforma confortável. Em França e Espanha, essa percentagem atinge 66% e 64%, respetivamente.
Apesar do diagnóstico negativo, o apoio a medidas corretivas é limitado. As opções mais consensuais passam por incentivar os trabalhadores mais velhos a permanecerem no mercado de trabalho por mais tempo e por introduzir a obrigatoriedade de contribuições adicionais para pensões privadas ou de empresa. Estas soluções reúnem maior aceitação tanto entre ativos como entre reformados nos cinco países analisados.
As preferências variam de país para país. Na Polónia, existe um apoio mais forte à permanência dos trabalhadores mais velhos no emprego, enquanto na Alemanha ganha destaque a aposta em pensões privadas ou profissionais. A Itália é o único Estado-membro onde há abertura significativa à redução ou eliminação da pensão do Estado para reformados com rendimentos elevados.
Em contrapartida, as medidas mais impopulares incluem o aumento de impostos sobre a população ativa, a redução do financiamento de serviços públicos destinados aos idosos e o corte transversal no valor das pensões atribuídas.
Na maioria dos países da União Europeia, os sistemas de pensões funcionam em regime de repartição, em que os trabalhadores no ativo financiam os atuais reformados. A diminuição da população em idade ativa e o aumento do emprego atípico agravam as incertezas, sobretudo entre as mulheres, que enfrentam uma disparidade média de 24,5% no valor das pensões face aos homens.
Perante este cenário, a Comissão Europeia delineou uma estratégia assente em dois pilares para reforçar as poupanças para a reforma e mobilizar até 10 biliões de euros em depósitos bancários em toda a União, com o objetivo de apoiar prioridades estratégicas como a defesa, a segurança e as transições digital e ecológica.














