A subida dos preços da energia e dos combustíveis está a obrigar muitos europeus a fazer escolhas cada vez mais difíceis para conseguirem pagar as contas. Há quem deixe de visitar familiares, reduza despesas com alimentação ou abdique mesmo de consultas médicas, revela um novo estudo realizado em dez países europeus, incluindo Portugal.
De acordo com a Euronews, cerca de 29% dos europeus afirmam viver numa situação financeira precária, enquanto 73% receiam não conseguir suportar os custos dos combustíveis.
O estudo anual, realizado pela Ipsos e pelo Secours populaire français, ouviu 10 mil pessoas com 18 ou mais anos em França, Alemanha, Grécia, Itália, Moldávia, Polónia, Portugal, Roménia, Reino Unido e Sérvia.
A guerra da Rússia na Ucrânia e o conflito no Médio Oriente agravaram a subida dos preços da energia e dos combustíveis na Europa. Na sequência de novos ataques à navegação no Estreito de Ormuz, o petróleo Brent ultrapassou os 100 dólares por barril na quarta-feira, 9 de setembro, mantendo-se nesse patamar na manhã seguinte.
Portugal entre os países mais preocupados com os combustíveis
Entre os dez países analisados, os inquiridos de Portugal, Grécia e Itália são os que demonstram maior preocupação com as despesas em combustíveis.
Em Portugal, 21% afirmam estar muito preocupados e receiam não conseguir suportar estes custos. Outros 56% estão preocupados, embora acreditem que conseguirão fazer-lhes frente.
No total, 77% dos inquiridos portugueses manifestam, portanto, algum grau de preocupação com esta despesa. Apenas 16% dizem não estar particularmente preocupados, enquanto 7% afirmam que a questão não se lhes aplica.
Segundo a Euronews, os preços dos combustíveis atingiram um nível recorde em Portugal a 7 de setembro. Foi o maior aumento dos últimos quatro anos e levou o gasóleo ao preço mais elevado de sempre.
Europeus cortam na alimentação e na saúde para pagar energia
As consequências das despesas com energia e combustíveis já vão além da preocupação com o orçamento mensal.
Ao longo do último ano, mais de um em cada três europeus abdicou de despesas consideradas importantes, incluindo alimentação e cuidados de saúde, para conseguir suportar as contas de energia ou de combustível.
As diferenças entre países são significativas. Os habitantes da Moldávia e da Grécia fazem até três vezes mais sacrifícios do que os inquiridos na Alemanha e no Reino Unido.
Quando o problema são os custos dos combustíveis, as férias são a primeira despesa sacrificada. Seguem-se as deslocações para visitar familiares que vivem longe.
Três em cada dez europeus estão também a deixar de utilizar o automóvel para se deslocarem para o trabalho, mesmo quando a alternativa implica demorar bastante mais tempo a chegar ao destino.
23% já faltaram a consultas médicas devido aos custos
Um dos dados mais relevantes do estudo está relacionado com o acesso aos cuidados de saúde. Cerca de 23% dos inquiridos afirmam já ter prescindido de consultas médicas devido ao aumento dos custos.
As famílias estão também a alterar hábitos dentro de casa para reduzir as faturas da energia. Entre as estratégias adotadas encontram-se baixar ou desligar o aquecimento e tomar duches de água fria.
Quase sete em cada dez pessoas abrangidas pelo estudo já adotaram pelo menos uma medida para reduzir as despesas energéticas. Pouco mais de cinco em cada dez dizem recorrer a várias estratégias em simultâneo.
Os comportamentos variam entre países. Franceses e gregos estão entre os que mais optam por desligar o aquecimento em determinadas divisões da casa, enquanto na Moldávia é mais frequente deixar de utilizar alguns eletrodomésticos.
Os resultados mostram, assim, que a insegurança financeira se está a tornar uma realidade prolongada para uma parte da população europeia, com a pobreza energética a agravar a vulnerabilidade das famílias e a obrigar alguns cidadãos a escolher entre despesas de energia, mobilidade e necessidades essenciais.














