Europa prepara-se para um grande apagão neste inverno. Já se fazem contas às mortes e pedem-se donativos

Britânicos, alemães e franceses já começaram a tomar medidas para o efeito, comprando tudo o necessário caso deixem de ter energia

Francisco Laranjeira

Os receios que a Europa sofra um grande apagão neste inverno, devido ao elevado custo da energia e demais efeitos da guerra, continua a invadir os cidadãos de vários países europeus, revelou o jornal espanhol ‘ABC’ – britânicos, alemães e franceses já começaram a tomar medidas para o efeito, comprando tudo o necessário caso deixem de ter energia.

A psicose da Europa está a gerar números expressivos de venda de madeira e roupa para o frio e em alguns países as autoridades recomendam mantas, velas e lanternas para os cidadãos estarem preparados em caso de apagão.

“Agradecemos o donativo de produtos que não requeiram ser cozinhados e que possam ser comidos frios”, foi uma das especificações de um colégio no oeste de Londres, na Grã-Bretanha, às famílias dos seus estudantes para um banco de alimentos com o qual colabora. E não é caso único – há meses que muitos bancos de alimentos trabalham nessa regra, uma vez que muitos utentes não têm dinheiro para cozinhar ou aquecer sequer a comida.

Clare Moriarty, diretora executiva da Citizens Advice, a crise atual tem uma particularidade: os bancos de alimentos e outras instituições de ajuda dirigem-se cada vez mais a pessoas que, apesar de terem trabalho, não têm rendimentos para cobrir todas as necessdiades e têm de decidir entre ‘heating or eating’ (aquecer-se ou comer).

Segundo dados da Stove Industry Alliance, que reúne diversas empresas no sector dos fogões, nas últimas semanas assistiu-se a um aumento de 40% na compra de madeira em relação ao ano anterior. “Com o custo do aquecimento a representar a maior parte das fatuas de energia neste inverno”, assim como a “crescente possibilidade de mais cortes de energia, não é de estranhar que os consumidores estejam a procurar alternativas para complementar o aquecimento a gás ou elétrico”, referiu Andy Hill, presidente da associação.

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Cerca de 24 milhões de pessoas no Reino Unido já reduziram o uso de energia em suas casas entre março e junho deste ano e cerca de 16 milhões de britânicos reduziram o consumo alimentar, números da ONS (Office for National Statistics), do Reino Unido. O Ggoverno está a considerar lançar uma campanha de informação para incentivar os consumidores a reduzirem o seu uso de energia.

Na Alemanha, a Federação Alemã de Municípios alertou, no início de setembro, que, se todos estivessem ligados à rede ao mesmo tempo, o sistema entraria em colapso, notando assim que agora, para além da crise do gás, o país enfrenta o perigo real de um apagão. As autoridades alemãs mantêm a sua recomendação à população para que tenha cobertores, velas, baterias, lanternas, comida e, acima de tudo, água potável durante 14 dias. O presidente honorário da Agência Federal de Assistência Técnica, Albrecht Brömme, também recomendou um rádio e fornecimento de baterias. “As redes móveis caíriam em cerca de quatro horas e o rádio será o meio que pode transmitir mais tempo”, disse. “O risco, de 0 a 10, é 7”, alertou.

O distrito de Rheingau-Taunus, por exemplo, com 17 municípios sob a sua responsabilidade, tornou público que estimou mais de 400 mortes nas primeiras 96 horas. O distrito não tem capacidade para equipar lares de idosos com geradores de emergência; apenas um terço das suas equipas de bombeiros, numa área de 811 quilómetros quadrados, poderia funcionar e muitos sistemas de alarme e incêndio seriam desligados. Em 24 horas, as primeiras estações de tratamento de águas residuais deixariam de funcionar.

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Em França, segundo fontes sindicais, onze reatores nucleares foram afetados nas últimas semanas por greves ou dias de manutenção e controlo, pelo que durante dois dias a produção nacional de eletricidade de origem nuclear foi reduzida em 4%.

A greve nos postos de abastecimento de dois grandes distribuidores, a Total Energies e a Exxon Mobil, precipitou um estado generalizado de alarme – 10% dos postos de abastecimento franceses tiveram problemas no fornecimento de gasolina e gasóleo. Em algumas regiões, a crise afetou mais de 30% dos postos de abastecimento. O espetáculo das filas nos postos de abastecimento de Paris, por exemplo, teve um efeito catastrófico, multiplicando incidentes de todos os tipos: disputas nas filas intermináveis, intervenções policiais e alarme político generalizado.

Perante a ameaça de uma greve por tempo indeterminado, as autoridades pediram a partilha do carro. Segundo o Governo de Emmanuel Macron, a “covoiturage”, o uso partilhado do carro, para ir trabalhar, por exemplo, pouparia muito combustível.

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