Europa prepara-se para limitar o teto máximo da eletricidade: reforma do mercado procura evitar preços de 5 mil euros/MWh

ACER (Agência Europeia de Reguladores de Energia) pediu aos operadores de eletricidade para apresentarem as suas propostas de modificação das várias metodologias dos mercados grossistas: decisão deve ser tomada até 15 de março próximo

Francisco Laranjeira

A Agência Europeia de Reguladores de Energia (ACER), da qual faz parte a portuguesa ERSE, começou a trabalhar para travar a escalada de preços registada nos mercados grossistas de eletricidade – está em curso a reforma do sistema de revisão automátiva dos limites máximos de preços para reduzir o risco tanto para os operados, por falta de liquidez, como para os consumidores devido ao perigo de apagões, segundo revelou o jornal espanhol ‘El Economista’.

A ACER garantiu que os preços da eletricidade vão manter-se elevados nos próximos meses e, por isso, diz que esta revisão que está agora a lançar tem uma “prioridade alta”. Desde o passado mês de maio, os preços máximos já aumentaram 66% – chegaram mesmo aos 5 mil euros por MWh. Em França, o pico foi de 2.987 euros por MWh em abril e em agosto foram mesmo alcançados 4 mil euros/MWh em três zonas do Báltico (Estónia, Letónia e Lituânia), com um novo recorde de 5 mil euros por MWh em setembro.

Estes picos de preços podem tornar-se mais frequentes se não for disponibilizada maior capacidade de interligação fronteiriça, segundo a entidade reguladora, ou não forem introduzidos mecanismos de resposta ao mercado de contenção e redução da procura: este último item já motivou a exigência da Comissão Europeia de reduzir o consumo nas horas de ponta em 5% e de 10% do consumo global em todos os Estados-membros.

A ACER já pediu aos operadores de eletricidade dos países europeus para apresentarem as suas propostas de modificação das várias metodologias dos mercados grossistas. O supervisor dos supervisores europeus tem até 15 de março de 2023 para tomar uma decisão mas a agência pretende concluir muito mais rapidamente: para isso, vai realizar uma consulta pública sobre as modificações propostas até 9 de outubro.

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