Aníbal Cavaco Silva defendeu esta terça-feira a criação de uma defesa europeia “credível” e com capacidade de intervenção autónoma, argumentando que a União Europeia não pode continuar dependente dos Estados Unidos em matéria de segurança. O antigo Presidente da República sustentou que os 27 precisam de uma força militar articulada com a NATO, capaz de atuar em cenários em que Washington não tenha interesse em intervir, deixando ainda um aviso direto sobre a ameaça representada pela Rússia de Vladimir Putin.
As declarações foram feitas em Estrasburgo, no dia em que Cavaco Silva recebe a recém-criada Ordem Europeia do Mérito do Parlamento Europeu, distinção atribuída a personalidades com contributos relevantes para a unidade europeia, a democracia e os valores fundamentais da União Europeia. Em entrevista à RTP Antena 1 e à RTP Notícias, o antigo chefe de Estado português afirmou que “a União Europeia precisa e é urgente de uma defesa e segurança credível”, considerando que a Europa não pode continuar a depender exclusivamente dos Estados Unidos da América para responder a ameaças externas.
Na entrevista, Cavaco Silva argumentou que “a Europa não pode esperar, em caso de ameaças que lhe batam à porta, pela ajuda dos Estados Unidos da América”. Defendendo uma maior autonomia estratégica europeia, acrescentou que “é preciso uma força militar em coordenação com a NATO para ser utilizada naquelas situações em que os Estados Unidos não têm interesse em intervir e, portanto, que não aceitam dar o seu contributo”. O antigo Presidente da República considerou ainda que as democracias europeias devem reforçar a sua capacidade de defesa para evitar sinais de fragilidade perante potências externas. “As democracias europeias têm de criar uma força militar para que os outros não pensem que são democracias frágeis, que não têm capacidade para se defender”, afirmou, acrescentando que estava “a pensar acima de tudo no ditador da Rússia, o senhor Putin”.
Além da defesa comum, Cavaco Silva sublinhou que o reforço da coesão interna será decisivo para o futuro do projeto europeu, numa altura em que a União enfrenta desafios geopolíticos crescentes e pressões externas relacionadas com segurança, energia e estabilidade internacional. O antigo primeiro-ministro e ex-chefe de Estado português tem defendido, nos últimos anos, um aprofundamento da integração europeia em áreas estratégicas, sobretudo após o agravamento das tensões internacionais e da guerra na Ucrânia.
A homenagem prestada esta terça-feira pelo Parlamento Europeu assinala os 75 anos da Declaração Schuman, considerada um dos pilares fundadores da construção europeia. Cavaco Silva integra o primeiro grupo de 20 distinguidos com a nova Ordem Europeia do Mérito, criada em maio de 2025. A distinção atribuída ao antigo Presidente português foi justificada pelo papel desempenhado durante a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, entre 1985 e 1995, bem como pela participação nas negociações do Ato Único Europeu e do Tratado de Maastricht.





