Brinquedos lideram sistema de alerta da UE para produtos perigosos

O sistema criado pela Comissão Europeia para impedir ou restringir a venda de produtos perigosos está a ser cada vez mais utilizado. Segundo um relatório publicado hoje, as medidas de acompanhamento relativas a alertas deste tipo de artigos aumentaram significativamente em 2019: os 31 países participantes do chamado “sistema de alerta rápido” trocaram 2.243 alertas, que resultaram em 4.477 acções de acompanhamento.

O mesmo relatório indica que este número representa um aumento de 10% em relação ao ano anterior e um salto de 63% face a 2015. As medidas tomadas no seguimento destes alertas vão desde a retirada ou destruição de um produto por parte de distribuidores e retalhistas antes de chegar às mãos dos consumidores, até à recolha dos produtos não seguros junto dos utilizadores.

«O sistema de alerta rápido está disponível 24 horas, 7 dias por semana, mantendo o fluxo de informação e a segurança no nosso mercado único. Como se vê no relatório de 2019, está a ser desenvolvido um nível recorde de trabalho para proteger os consumidores de produtos perigosos e potenciais danos», afirma Didier Reynders, comissário da Justiça.

O responsável adianta ainda que a Comissão Europeia tem vindo a trabalhar com os Estados-membros no sentido de aumentar o número de ensaios de produtos. Desde o final do ano passado, mais de 75 produtos foram assinalados através do sistema de alerta rápido.

Os brinquedos foram a categoria de produto mais notificada (29% do total), seguindo-se os veículos automóveis (23%) e os aparelhos e equipamentos eléctricos (8%). Os cosméticos, o vestuário, os têxteis e os artigos de moda, bem como os artigos de puericultura e o equipamento para crianças, também tiveram um elevado número de alertas, revela o relatório.

Quanto aos riscos mais notificados, destaque para produtos causadores de lesões (27%), como fracturas ou contusões. Os componentes químicos dos produtos foram a segunda maior preocupação assinalada (23%), seguida pelo risco de asfixia de crianças (13%).

Novos alertas desde o início da pandemia

Até 1 de Julho, havia 63 alertas sobre máscaras faciais, três alertas sobre fatos-macaco, três alertas sobre desinfectantes para as mãos e três alertas sobre lâmpadas ultravioletas portáteis (“bastões desinfetantes”). Estes números não são abrangidos pelo relatório de 2019 mas mostram como o sistema tem trabalho em tempo de pandemia. Entre 1 de Março e 1 de Julho, foram realizadas 10 acções de acompanhamento de máscaras e uma sobre um desinfectante das mãos.

Ensaio coordenado

A Comissão Europeia juntou-se a autoridades europeias seleccionadas pelos Estados-membros para realizar um ensaio coordenado que verifica a segurança de 652 produtos – desde dispositivos de transporte pessoal a brinquedos de recheio mole, passando ainda por carregadores, baterias, assentos de bicicleta para crianças e brinquedos de pasta viscosa.

38% de todos os produtos submetidos a ensaio não estava em conformidade com aspectos específicos da legislação de segurança da UE, indica a Comissão. Além disso, 11% dos produtos apresentava riscos graves para os consumidores.

“Por exemplo, embora todos os assentos de bicicleta submetidos a ensaio apresentassem um certo tipo de risco, apenas 8% era grave”, revela ainda a Comissão. Por categoria, os brinquedos de recheio mole apresentaram as taxas mais elevadas (68%) de riscos graves, enquanto as baterias apresentaram os riscos menos graves (1%).

Ler Mais
pub

Comentários
Loading...