Europa importou 71% da energia russa nos dois meses de guerra e estes são os países que mais consomem

A Alemanha foi o maior comprador de energia russa nos primeiros dois meses desde o início da guerra na Ucrânia, sendo que sozinha pagou à Rússia cerca de 9,1 mil milhões de euros por entregas de combustíveis fósseis

Simone Silva

Um relatório do Centro para a Investigação na Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês), hoje divulgado, revela que a União Europeia foi o principal importador de combustível fóssil russo, respondendo por 71% ou cerca de 44 mil milhões de euros, da receita de exportação da Rússia no setor.

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De acordo com a pesquisa, citada pela imprensa internacional, países como a Alemanha (9,1 mil milhões de euros), Itália (6,9 mil milhões de euros), Países Baixos (5,6 mil milhões de euros) e França (3,8 mil milhões de euros) estão entre os maiores consumidores de energia russa, mesmo depois do início da guerra.

O ranking mostra que a Alemanha foi o maior comprador de energia russa num único país nos primeiros dois meses desde o início da guerra na Ucrânia, sendo que sozinha pagou à Rússia cerca de 9,1 mil milhões de euros por entregas de combustíveis fósseis nos dois meses seguintes ao início da invasão de Moscovo.

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Já o segundo maior importador de combustíveis fósseis da Rússia desde o início da invasão é a Itália, seguida pela China (6,7 mil milhões de euros). “As exportações de combustíveis fósseis são um fator chave para o crescimento militar da Rússia e a agressão brutal contra a Ucrânia”, disseram os autores do estudo.

Com estas importações, a Rússia quase que duplicou as suas receitas durante os dois meses de guerra na Ucrânia, beneficiando-se do aumento dos preços, mesmo com a redução dos volumes. O país recebeu cerca de 62 mil milhões de euros de exportações de petróleo, gás e carvão.

O CREA também descobriu que muitas empresas de combustíveis fósseis continuaram a fazer grandes volumes de comércio com a Rússia, incluindo BP, Shell, Total e ExxonMobil. Os volumes de exportação da Rússia estavam a cair à medida que as sanções começaram a afetar, mas o aumento nos preços dos combustíveis fósseis estava a amortecer o efeito sobre as receitas de Moscovo.

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Assim, o grupo recomendou que governos e corporações encerrassem todas as compras para “ajudar a acabar com a guerra e os crimes contra a humanidade cometidos pelos militares russos” e que os governos apresentassem planos para se afastar completamente dos combustíveis fósseis, em vez de apenas criar outras fontes para os mesmos.

Para o estudo, os investigadores utilizaram dados sobre movimentos de navios, rastreamento em tempo real dos fluxos de gás através de gasodutos e estimativas com base no comércio mensal passado.

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