Se a Europa decidisse abdicar do gás russo hoje ou se a Rússia optasse por cortar imediatamente o fornecimento deste bem energético, “seria necessário reduzir o consumo durante o verão para ajudar a repor o armazenamento face às temperaturas mais baixas no outono”, de acordo com os dados do Instituto Económico de Energia de Colónia.
Segundo este estudo, se faltasse o gás russo a partir do início deste mês, o consumo teria que diminuir em 459 Terawatt/hora durante pelo menos um ano na União Europeia e também no Reino Unido.
Já Portugal não seria abrangido por esta necessidade de reduzir o consumo, uma vez que tem uma baixa exposição ao gás russo. O mesmo acontece com Espanha, Malta e Chipre.
O resto do continente europeu teria de reduzir o consumo em 18% da procura atual e racionar o consumo de gás.
Estes seriam os países europeus mais penalizados.
Eslováquia
De acordo com o Finstat, a Eslováquia, enquanto país pelo qual transita o fornecimento de gás russo, perderia 300 milhões de euros por ano em dividendos e impostos. Anualmente, são transportados entre 40 a 70 mil milhões de metros cúbicos de gás pela Eslováquia.
O estado eslovaco tem uma participação de 51% no gasoduto Eurostream, que transporta mais de 90% de todo o gás. Os dividendos do Eurostream atingem cerca de 100 milhões de euros por ano, o imposto é de 125 milhões. No total, as receitas do estado eslovaco com a energia ascendem a cerca de 600 milhões de euros.
Finlândia
O país nórdico, que recebe 97% do seu gás da Rússia, restringiu a capacidade de transmissão nas ligações transfronteiriças com a Rússia com receio de possíveis ataques informáticos, entre outras formas de agressão russa numa altura em que está a ponderar a adesão à NATO. A decisão entrou em vigor no dia 24 de abril e foi tomada pela elétrica finlandesa, a Fingrid.
A capacidade de importação da Fingrid é agora de 900 Megawatts em vez dos 1.300 Megawatts que importava anteriormente. A capacidade de exportação da Finlândia para a Rússia mantém-se inalterada em 320 Megawatts.
Segundo a Energy Finland, cerca de 10% da eletricidade consumida na Finlândia no ano passado teve origem na Rússia. No entanto, acabar com as importações de energia da Rússia não vai colocar em risco o sistema elétrico finlandês. A central nuclear de Olkiluoto3, recentemente construída, vai tornar o país mais auto-suficiente.
Alemanha
O Bundesbank calcula que a interrupção do fornecimento de energia russa teria um impacto inicial no PIB alemão de 2%, uma perda que se manteria ao longo do tempo e levaria à recessão. O chanceler Scholz alertou que isso significaria uma enorme perda de empregos – a Alemanha pode perder 2,8 milhões de postos de trabalho – e também se espera um aumento ainda mais pronunciado da inflação.
Desde o início da invasão russa, o país tem feito grandes esforços para reduzir a sua dependência das importações russas. O gás russo representa apenas 35% do total, quando no ano passado chegou a 55%. No final do ano será 30% e em 2024 10%. Quanto ao petróleo, o ministro da Economia, Robert Habeck, declarou que “a independência é uma questão de dias”.
Os depósitos estão atualmente 33,7% cheios e o governo considera o abastecimento garantido até que as temperaturas caiam no próximo outono.
Dinamarca
A Dinamarca apresentou a 19 de abril um projeto para se tornar independente do gás russo que prevê que metade das 400 mil casas atualmente aquecidas a gás o façam em 2028 com aquecimento urbano ou bombas de calor, que funcionam com eletricidade. Até 2030, o país pretende quadruplicar a sua produção de energia solar e eólica terrestre. O plano inclui o desenvolvimento de mais energia verde, juntamente com a manutenção da produção de gás natural no mar do Norte. Espera alcançar a independência em 2027.
Polónia
Com reservas de gás “perto dos 80%”, o governo polaco garante que não haverá falta de gás nas casas apesar do corte do fornecimento russo. Até há pouco tempo, 55% do gás consumido pela Polónia vinha daquele país, mas há meses que procura novos fornecedores.
A partir de outubro, o Baltic Pipeline fornecerá grandes quantidades de gás da Noruega. A Polónia também possui um terminal de grande capacidade para processamento de gás natural liquefeito, que chegará dos Estados Unidos e do Qatar. E no sábado começou a operar o gasoduto que transporta dois mil milhões de metros cúbicos de gás por ano da Lituânia, com 580 quilómetros de extensão. Espera assim responder a 10% da procura anual e atingir a sua capacidade máxima em outubro.
Áustria
Na Áustria, 80% do gás importado vem da Rússia, segundo a E-control. O governo quer cortar essa dependência para metade até 2027, em parte com medidas de economia de consumo de 25%, mas também através da compra a outros países. O armazenamento de gás está atualmente em 18%, o que permite à Áustria cobrir as suas necessidades por vários meses.
República Checa
87% do gás natural importado pela República Checa é russo. Como alternativa ao gás russo, Praga está considerando importar gás natural liquefeito. No entanto, não possui terminais para processá-lo.
Hungria
Quase todas as importações de energia na Hungria – representam 70% do consumo – vêm da Rússia. O país tem-se mostrado contra as sanções aplicadas à Rússia e paga o fornecimento de gás russo em rublos, como o Kremlin exige.
Bulgária
É completamente dependente das importações de energia russas. A principal refinaria de petróleo é detida pela empresa russa Lukoil, que representa 60% da procura. A Bulgária também depende do combustível nuclear russo.
Após o corte do fornecimento de gás, o governo búlgaro disse que tem reservas de gás para vários meses e lembrou que após o verão estará operacional uma nova interligação com a Grécia que vai permitir a importação de grandes quantidades de gás de outros países, como o Azerbaijão.














