Europa enfrenta “risco sem precedentes” de escassez de gás, alerta agência internacional

AIE salientou que os países da União Europeia precisam de reduzir em 13% o uso de gás durante o inverno se acontecer um corte total da Rússia

Francisco Laranjeira

A Europa enfrenta um “risco sem precedentes” de escassez de gás neste inverno e pode acabar a competir com a Ásia pelo já escasso (e caro…) GNL que vem por via marítima, apontou esta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (AIE). No seu relatório trimestral de gás, o organismo salientou que os países da União Europeia precisam de reduzir em 13% o uso de gás durante o inverno se acontecer um corte total da Rússia – grande parte dessa redução teria de chegar do comportamento do consumidor.

Recorde-se que a União Europeia chegou a acordo, na passada 6ª feira, para impor uma redução no consumo de eletricidade em pelo menos 5% durante os horários de pico. Atualmente dirige-se para a Europa apenas ‘um fio’ de gás russo, em gasodutos através da Ucrânia para a Eslováquia e através do Mar Negro através da Turquia e para a Bulgária.

Uma onda de frio, no final do inverno, seria particularmente desafiadora porque nas reservas subterrâneas de gás fluem mais lentamente no final da temporada devido ao menos gás e menor pressão nas cavernas de armazenamento: a UE já encheu os depósitos a 88%, acima da sua meta de 80% antes do inverno. No entanto, a AIE assumiu que seriam necessários 90% num cenário de total corte russo.

O objetivo é evitar que os níveis de armazenamento caiam tanto que os Governos precisem de racionar o gás para as empresas. O armazenamento de gás deve permanecer acima de 33% para um inverno seguro, segundo revelou a AIE – abaixo disso, há riscos de escassez se houver uma onda de frio tardia. Os níveis mais baixos tornariam mais difícil para a Europa reabastecer o armazenamento no próximo verão, ao passo que reservas mais altas de conservação poderiam ajudar a reduzir os preços.

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