Europa em alerta: o que é o misterioso grupo “Ashab al-Yamin” que está por trás de ataques em várias cidades?

Uma nova vaga de ataques está a espalhar medo pela Europa. Incêndios e tentativas de atentado em diferentes países levantam suspeitas sobre um grupo desconhecido, “Ashab al-Yamin”, cuja atuação está a ser analisada pelos serviços de segurança.

Patrícia Moura Pinto

Uma série de ataques noturnos contra alvos civis em várias cidades europeias está a preocupar as autoridades de segurança, que investigam a possível ligação a uma organização desconhecida, alegadamente associada ao Irão. Segundo o Kyiv Post, os incidentes incluem incêndios e tentativas de atentados com explosivos em locais ligados a comunidades judaicas e instituições financeiras americanas.

Ataques coordenados em várias cidades europeias

Um dos episódios mais recentes ocorreu no norte de Londres, onde três indivíduos foram captados em câmaras de vigilância a incendiar ambulâncias pertencentes a um serviço médico judaico. Casos semelhantes foram registados nas últimas semanas na Bélgica, Países Baixos e França, indicando um possível padrão coordenado de atuação.

Em Liège, na Bélgica, um ataque incendiário contra uma sinagoga foi reivindicado por um grupo até então desconhecido chamado “Ashab al-Yamin”. Analistas consideram que o surgimento repentino desta organização é “atípico”, levantando suspeitas de que possa tratar-se de uma estrutura criada no âmbito da chamada guerra híbrida iraniana.

Recrutamento de jovens através das redes sociais

Continue a ler após a publicidade

As investigações revelam também um padrão preocupante no recrutamento dos suspeitos. Segundo o ‘Kyiv Post’, vários dos detidos na Europa têm entre 14 e 23 anos e terão sido aliciados através de plataformas como Telegram e TikTok. Em alguns casos, os jovens admitiram ter recebido pagamentos entre 500 e 1.000 euros para executar os ataques.

Em Paris, as autoridades conseguiram impedir um atentado junto a um escritório do Bank of America, igualmente associado a esta rede emergente. Este tipo de operações reforça a tese de uma estratégia deliberada de desestabilização.

Guerra híbrida e clima de medo

Continue a ler após a publicidade

Especialistas sublinham que o objetivo destas ações passa por criar instabilidade social e um clima de insegurança, particularmente entre comunidades judaicas e no setor financeiro. A chamada guerra híbrida combina métodos convencionais e não convencionais, permitindo aos responsáveis manter uma negação plausível das suas ações.

Apesar das suspeitas, Teerão nega qualquer envolvimento direto nos ataques. No entanto, o padrão de alvos coincide com interesses dos Estados Unidos e de Israel, o que levanta ainda mais dúvidas entre os analistas.

Escalada paralela no Médio Oriente

Este aumento de incidentes na Europa ocorre num contexto de intensificação do conflito no Médio Oriente. Desde o final de fevereiro, o Irão tem lançado ataques com drones e mísseis contra infraestruturas nos Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Kuwait, acusando estes países de apoiarem forças americanas.

Entretanto, forças israelitas estarão a preparar possíveis ataques de retaliação contra infraestruturas energéticas iranianas, dependendo da aprovação de Washington, o que poderá agravar ainda mais a tensão internacional.

Continue a ler após a publicidade

Europa em alerta máximo

A ligação entre estes eventos sugere uma possível extensão do conflito do Médio Oriente para território europeu, através de ações indiretas. As autoridades continuam a investigar a rede “Ashab al-Yamin”, enquanto reforçam medidas de segurança para prevenir novos ataques.

A evolução desta situação poderá ter implicações profundas na segurança europeia, num momento já marcado por instabilidade geopolítica crescente.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.