Os bombeiros continuam a combater grandes incêndios em Espanha e França, enquanto as autoridades alertam que o risco de novos fogos permanecerá muito elevado nos próximos dias. Ao mesmo tempo, os Balcãs enfrentam uma mudança brusca do tempo, com tempestades de granizo que já provocaram feridos e danos materiais.
Segundo dados europeus, este ano já ardeu mais área no continente do que a média anual registada nas últimas duas décadas, depois de três vagas de calor quase consecutivas atingirem a Europa.
Espanha continua em alerta máximo
O maior incêndio do ano em Espanha, na província de Guadalajara, consumiu cerca de 32 mil hectares e obrigou à evacuação de 34 municípios, além de medidas de confinamento em outros 14.
Embora o fogo esteja agora mais controlado e alguns habitantes já tenham regressado a casa, as autoridades mantêm várias restrições e avisam que o perigo continua elevado.
Durante uma visita à zona afetada, o primeiro-ministro Pedro Sánchez revelou que Espanha já registou 22 grandes incêndios este ano e que mais de 100 mil hectares já arderam, um valor que corresponde à média anual da última década.
A agência meteorológica espanhola (AEMET) mantém o risco de incêndio em níveis “muito elevados ou extremos” em grande parte do país e nas Baleares, devido à combinação entre calor intenso, trovoadas secas e poeiras vindas do Saara.
Apesar de estar prevista uma ligeira descida das temperaturas na quinta-feira, os meteorologistas esperam uma nova subida no fim de semana, com máximas entre 42 e 44 graus em várias zonas do Mediterrâneo.
França teme novos fogos
Em França, temperaturas mais baixas e ventos menos intensos facilitaram o combate ao incêndio que já destruiu cerca de 2.500 hectares na região de Var, danificou dezenas de habitações e obrigou centenas de pessoas a abandonar as suas casas.
Mesmo assim, as autoridades avisam que o risco de incêndios permanecerá muito elevado no oeste, sudoeste e sudeste do país durante os próximos dias.
Na passada terça-feira, dois bombeiros morreram na região de Gironde quando o veículo em que seguiam foi cercado pelas chamas.
As autoridades francesas proibiram churrascos nas zonas mais vulneráveis e apelaram ao cancelamento de espetáculos de fogo de artifício, lembrando que nove em cada dez incêndios têm origem na atividade humana, seja por acidente ou negligência.
Dos incêndios ao granizo
Enquanto o sul da Europa continua sob temperaturas extremas, os Balcãs enfrentam agora tempestades severas.
Na Macedónia do Norte, uma forte tempestade derrubou árvores, danificou telhados e provocou cortes de eletricidade, deixando 11 pessoas hospitalizadas, três delas com ferimentos graves.
No Kosovo, as autoridades alertaram para a possibilidade de novas trovoadas, granizo, inundações, descargas elétricas e novos cortes de energia. Imagens divulgadas pelos meios de comunicação locais mostraram residentes a cobrir automóveis com mantas para tentar protegê-los da queda de pedras de granizo.
Também a Grécia e Chipre continuam a enfrentar temperaturas superiores aos 40 graus, levando os governos a proibir trabalhos no exterior durante as horas de maior calor.
Os cientistas alertam que as alterações climáticas provocadas pela atividade humana estão a tornar mais frequentes e intensas as ondas de calor, as secas e os grandes incêndios, ao mesmo tempo que favorecem fenómenos meteorológicos extremos, como tempestades violentas e episódios de granizo de grande dimensão.














