Europa e EUA serão “menos influentes”: guerra na Ucrânia dividiu o mundo e abriu portas a uma nova ordem global, revela sondagem

O relatório dos dados aponta “uma divisão profunda nas atitudes globais” no que respeitas às “conceções de democracia, e na composição de uma futura ordem internacional.

Pedro Zagacho Gonçalves

A guerra na Ucrânia está a dividir as opiniões da população global, entre as de nações ocidentais e as de países com a China, Índia ou Turquia, segundo mostra uma nova sondagem do Conselho Europeu para as Relações Estrangeiras (ECFR), indicando maior abertura para uma futura ordem global multipolar onde a Europa e os EUA terão menos influência do que atualmente.

O relatório dos dados aponta “uma divisão profunda nas atitudes globais” no que respeitas às “conceções de democracia, e na composição de uma futura ordem internacional.

As informações foram recolhidas em nove países da União Europeia, mais o Reino Unido, China, Índia, Turquia, Rússia e EUA, e sugerem que, ainda que os aliados ocidentais, no âmbito da guerra, “tenham voltado a ganhar um sentimento de objetivo no palco global”, a situação contribuiu para aumentar o fosso entre esta perspetiva e a “dos outros”.

Os europeus e norte-americanos inquiridos têm muitos pontos de vista em comum sobre questões globais, incluindo pensar que “a Ucrânia deve ser ajudada a ganhar a guerra”, enquanto cidadãos da China, Índia ou Turquia preferem “um fim rápido da guerra”, mesmo que a Ucrânia tenha de perder territórios.

Nos países ocidentais onde se fez o inquérito, a maioria descrevia sempre a Rússia como “adversário” ou “rival” no próprio país (77% no Reino Unido, 71% nos EUA e 65% na UE). Por outro lado, na China (76%), Índia (75%) e Turquia (73%), a maioria dos inquiridos via “força” na Rússia e considerava-a como um “parceiro estratégico” e um “aliado”, defendendo que Kiev devia considerar ceder os territórios à Rússia para por termo ao conflito rapidamente.

Continue a ler após a publicidade

“O paradoxo da guerra na Ucrânia é que o ocidente está mais unido, mas ao mesmo tempo menos mais influente do que nunca”, comenta Mark Leonard, diretor do ECFR, em entrevista ao Politico.

Com efeito, a divisão verifica-se nas respostas dos inquiridos quanto às expectativas de uma nova ordem mundial: nos EUA e Europa uma grande percentagem da população acredita numa nova ordem global com dois blocos, liderados pelos EUA e China, enquanto nos países não-ocidentais a maioria da população via o futuro em termos mais multipolares, a incluir a Índia, a Rússia e a Turquia na equação.

“Os líderes ocidentais devem ter em consideração que a consolidação do Ocidente está a tomar lugar num mundo pós-ocidental cada vez mais dividido. E os poderes emergentes, como a Índia ou a Turquia vão agir nos próprios termos e resistirão a ficaram no meio da batalha entre China e EUA”, termina o especialista e responsável pelo estudo.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.