A Europa pode sofrer apagões de eletricidade nos próximos meses se as temperaturas médias caírem, segundo alertaram esta segunda-feira especialistas em energia. Analistas do banco de investimento Goldman Sachs garantiram que a Europa tem gás suficiente armazenado para passar o inverno mas se as temperaturas baixarem vai registar-se um aumento da procura e os níveis de armazenamento vão superar os recordes negativos de 2018.
Se isso acontecer, os “apagões de eletricidade são prováveis”, frisaram os analistas, que apontaram ainda que, mesmo que a Rússia aumente o fornecimento para a região europeia, o noroeste do continente provavelmente verá os preços do gás tornarem-se o dobro dos níveis normais. Isto sem levar em conta um potencial conflito na Europa Oriental.
A Rússia e a NATO estão a aumentar a presença militar na zona e sucedem-se os avisos para um iminente ataque russo à Ucrânia. Esta segunda-feira, um porta-voz do primeiro-ministro britânico Boris Johnson garantiu que a Rússia cometeria “um erro estratégico” se criasse alguma “ação desestabilizadora” na Ucrânia. Também o líder do Governo britânico frisou para as “consequências significativas”, indicando que o Reino Unido e os Estados Unidos poderiam impor sanções à Rússia.
Se a ameaça de sanções contra a Rússia atingirem o fornecimento de gás, isso vai prejudicar os mercados europeus, que obtêm 35% do seu gás via Rússia. Para os analistas da Goldman Sachs, o “atual aperto nas reservas de gás europeias desincentivaria a União Europeia de bloquear quaisquer fluxos de gás existentes da Rússia”. Mas se houver tais sanções, poderá levar os preços do gás a atingir “valores ainda mais altos” do que o recorde estabelecido em dezembro último.
“O impacto dos preços do gás natural na economia é mais amplo do que a maioria das pessoas imagina. Não ocorre apenas porque é a commodity mais importante para o aquecimento no inverno ou porque grandes sectores industriais, como produtos químicos, fundição de metais de vidro e cimento, dependem fortemente do gás para o fabrico. Mas, mais importante, o gás natural é frequentemente o combustível marginal para a geração de energia, o que significa que é um dos principais impulsionadores dos preços da eletricidade, impactando significativamente a economia em geral”, finalizaram.



