O sentimento de impotência cresce na Europa quanto ao papel que o Velho Continente pode desempenhar no processo de paz na Ucrânia, quase quatro anos após a invasão russa. Embora as negociações entre Moscovo e Washington estejam paralisadas, surgem poucos sinais de otimismo, especialmente no que respeita às garantias de segurança e à possibilidade de a Ucrânia ser pressionada a fazer concessões territoriais significativas ao invasor, revela o ‘El País’.
Esta quarta-feira, enviados de segurança de França, Alemanha, Finlândia, Itália e Reino Unido reuniram-se em Bruxelas com Rustem Umerov, chefe da delegação ucraniana para as negociações de paz. Segundo fontes diplomáticas, o encontro “foi produtivo”, mas evidenciou nuances nas posições europeias em relação aos territórios reivindicados pela Rússia.
Embora o presidente francês, Emmanuel Macron, tenha afirmado que “só a Ucrânia pode discutir os seus territórios”, alguns representantes insinuaram que a paz poderia exigir concessões significativas. O presidente finlandês, Alexander Stubb, alertou para uma “paz injusta” caso tais acordos fossem concretizados, enquanto Umerov destacou as dificuldades políticas, emocionais e constitucionais de aceitar perdas territoriais.
Resistência nos Países Bálticos e na Polónia
A ideia de concessões começa a gerar resistência nos Países Bálticos e na Polónia, que consideram qualquer perda territorial, mesmo temporária, uma ameaça à sua própria integridade. Relatórios de inteligência europeus alertam que a Rússia poderia tentar novas agressões contra países do continente nos próximos cinco anos.
Macron expressou preocupação de que Washington possa “trair” a Ucrânia ao pressionar Kiev a aceitar um acordo sem clareza sobre garantias de segurança. Embora o Palácio do Eliseu tenha minimizado a palavra “trair”, a questão das garantias de segurança permanece central nas negociações.
Pressão americana e o papel europeu
A reunião de Bruxelas decorreu após o colapso das conversações em Moscovo, lideradas pelos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. O encontro teve menos representantes dos EUA do que o inicialmente previsto, mas manteve o foco nas garantias de segurança, consideradas essenciais para proteger a Ucrânia de futuras agressões.
O primeiro-ministro ucraniano, Umerov, destacou nas redes sociais a importância de desenvolver uma estrutura de garantias de segurança “real e eficaz para a Ucrânia e toda a Europa”. A Europa, consciente de que suporta a maior parte do apoio económico e logístico ao país invadido, debate agora como poderá auxiliar Kiev e, simultaneamente, como a Ucrânia poderá aceitar internamente possíveis concessões.
O debate centra-se também na União Europeia, que poderá oferecer a adesão da Ucrânia como contrapartida para que o país aceite alguns compromissos territoriais. A coligação de voluntários europeus que apoia Kiev, liderada por Paris e Londres, procura envolver os EUA na definição de garantias de segurança que tornem possível a paz sem comprometer de forma irreversível a integridade do território ucraniano.














