A população da União Europeia deverá cair cerca de 11,7% até 2100, passando de 452 milhões para 399 milhões de habitantes, uma redução de 53 milhões de pessoas. As projeções demográficas divulgadas apontam para um envelhecimento acentuado da população europeia e para diferenças significativas entre países, com impacto direto nas dinâmicas económicas e sociais do continente.
Segundo dados da Eurostat, este cenário inclui já hipóteses de migração futura. Ainda assim, as tendências são claras: a fertilidade continua a descer e o envelhecimento populacional acelera em toda a Europa.
Portugal vai perder 19,3% da população até 2100
Portugal surge entre os países mais afetados pela quebra demográfica, com uma redução projetada de 19,3% da população até ao final do século. Entre os 18 países europeus que registam previsões de declínio, Portugal ocupa a 11.ª posição entre os mais afetados.
De acordo com as projeções, a população portuguesa deverá passar de 10.749.635 habitantes para 8.680.378 em 2100, o que representa uma perda de mais de dois milhões de pessoas.
Este cenário coloca Portugal na faixa dos países com perdas entre 10% e 20%, ao lado de Estónia (19,1%), Chéquia (11,5%), Finlândia (10,7%), Eslovénia (10,6%) e Alemanha (10,6%).
Países com maior e menor evolução demográfica na Europa
Entre 30 países europeus analisados, 12 deverão registar crescimento populacional até 2100, enquanto 18 deverão perder habitantes.
As maiores quebras estão previstas para a Letónia (33,9%), Lituânia (33,4%), Polónia (31,6%) e Grécia (30,1%), todas com perdas superiores a 30%, o que significa a possível perda de mais de três em cada dez habitantes.
Seguem-se países com declínios superiores a 20%, como Bulgária (28%), Croácia (27%), Eslováquia (26,7%), Roménia (24,3%), Itália (24%) e Hungria (22,5%).
Em contraste, alguns países deverão crescer: Luxemburgo (36,4%), Islândia (27,1%) e Malta (26%) lideram os aumentos, seguidos por Suíça (16,9%), Irlanda (14,6%), Noruega (11,8%) e Suécia (10%).
Migração é o fator decisivo nas diferenças entre países
Especialistas citados no estudo apontam a migração como o principal fator explicativo das diferenças demográficas.
“Esta variação é principalmente impulsionada pelas diferenças nas taxas de migração passadas e projetadas, em combinação com as diferenças na estrutura etária”, explicou o demógrafo Tomas Sobotka, do Vienna Institute of Demography.
Também a investigadora Anne Goujon sublinha que o equilíbrio entre mudança natural da população e migração líquida é determinante. “Todos os países da UE têm baixa fertilidade, mas os países com imigração sustentada podem continuar a crescer apesar disso”, referiu.
Já o investigador Dmitri Jdanov, do Max Planck Institute for Demographic Research, reforça que a migração é o único fator capaz de garantir crescimento populacional na Europa, já que a fertilidade atual não é suficiente para manter a população.
Espanha cresce e ultrapassa Itália no ranking europeu
Entre as grandes economias europeias, apenas Espanha deverá registar crescimento populacional até 2100, ainda que ligeiro (1,3%). França deverá recuar 2,5%, enquanto Alemanha e sobretudo Itália enfrentarão quedas mais expressivas, com esta última a perder cerca de 24% da população.
Sobotka explica que Espanha beneficiou de forte imigração nas últimas três décadas, o que compensou a baixa natalidade. Já França mantém maior estabilidade devido a uma fertilidade relativamente mais elevada e uma população mais jovem.
Com estas dinâmicas, Espanha deverá ultrapassar Itália e tornar-se o terceiro país mais populoso da União Europeia. Itália perderá cerca de 15 milhões de habitantes, enquanto Espanha deverá ganhar aproximadamente meio milhão.
Portugal desce no ranking europeu de população
As projeções indicam também alterações no ranking dos países mais populosos. Portugal deverá cair da 10.ª para a 13.ª posição entre 2025 e 2100, refletindo a tendência de perda populacional.
Outros países terão subidas significativas, como a Suíça (15.º para 10.º), Irlanda (21.º para 17.º) e Noruega (19.º para 16.º). Em sentido contrário, além de Portugal, destacam-se as descidas da Bulgária (16.º para 20.º) e da Grécia (12.º para 15.º).
População europeia envelhece de forma acentuada
Para além da quebra populacional, o envelhecimento será uma das transformações mais marcantes até ao final do século.
A proporção de pessoas com 85 ou mais anos deverá mais do que triplicar, passando de 3,2% em 2025 para 10,8% em 2100, o que significa que mais de um em cada dez europeus estará nesta faixa etária.
O grupo entre os 66 e os 84 anos também crescerá, passando de 17,6% para 21,8%. No total, a população com mais de 65 anos representará quase um terço dos europeus em 2100, face a cerca de um quinto atualmente.
Em contrapartida, todos os grupos etários mais jovens deverão perder peso relativo. A população em idade ativa (31 a 65 anos), considerada a base das economias europeias, deverá cair de 47,8% para 40,5% do total.









