Europa avança com acordo de tarifas com Trump, mas impõe travões e novas regras

Texto agora aprovado, sob proposta do eurodeputado Bernd Lange, introduz novas exigências para que o Parlamento Europeu dê luz verde ao acordo

Executive Digest

O Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira um conjunto de condições para avançar com a redução de tarifas sobre produtos americanos, numa tentativa de reforçar salvaguardas num acordo comercial com os Estados Unidos que continua a gerar tensão política e económica entre os dois blocos.

Em causa está o chamado acordo de Turnberry, fechado no verão passado entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente americano Donald Trump. O entendimento prevê que a União Europeia elimine tarifas sobre vários produtos dos EUA, enquanto Washington mantém taxas de 15% sobre muitas exportações europeias e tarifas de 50% sobre aço e alumínio.

A votação agora realizada marca um avanço, ainda que condicionado. Uma larga maioria dos eurodeputados aceitou reduzir tarifas sobre algumas importações americanas como primeiro passo para implementar o acordo, mas apenas com salvaguardas adicionais. Entre as principais exigências está a exclusão de centenas de produtos europeus das tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre aço e alumínio, protegendo setores industriais considerados estratégicos.

O processo foi marcado por sucessivos atrasos, num contexto de deterioração das relações transatlânticas. O Parlamento chegou a suspender a votação após declarações de Trump sobre a Gronelândia e, mais tarde, na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA que considerou ilegais algumas tarifas. Apesar disso, Bruxelas decidiu manter o acordo, depois de receber garantias de Washington, ainda que novas medidas tarifárias americanas tenham voltado a pressionar os legisladores europeus.

Mais adiante, os eurodeputados introduziram mecanismos adicionais de proteção, incluindo a possibilidade de reverter a eliminação de tarifas caso os EUA avancem com novas medidas contra a UE e uma cláusula de caducidade que limita o acordo até março de 2028. O texto, aprovado com 417 votos a favor, 154 contra e 71 abstenções, reflete a tentativa de equilibrar abertura comercial com proteção da indústria europeia.

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A nível político, o acordo continua a dividir posições. Setores mais críticos classificam-no como desequilibrado, enquanto outros defendem que a União Europeia deve proteger-se face à imprevisibilidade da política comercial americana. No debate, foi deixado um aviso claro: não haverá “cheques em branco” para Washington, num contexto em que Bruxelas procura evitar novos episódios de pressão ou coerção comercial.

Ao mesmo tempo, a União Europeia está a acelerar a diversificação das suas relações comerciais, procurando reduzir a dependência de parceiros como os EUA e a China. Nos últimos meses, Bruxelas avançou com acordos com o Mercosul, Índia e Austrália, numa estratégia que visa reforçar a resiliência económica do bloco, sem abandonar a relação comercial com os Estados Unidos, avaliada em cerca de 1,6 biliões de euros.

Apesar do sinal político dado pelo Parlamento, o acordo ainda terá de ser negociado e validado pelos Estados-membros, mantendo-se a incerteza sobre a sua forma final. A pressão também vem de Washington: o embaixador dos EUA junto da UE já avisou que alterações ao acordo poderão afetar o acesso europeu a exportações de gás natural liquefeito americano, elevando ainda mais o risco de fricção entre os dois lados do Atlântico.

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