O ex-ministro das Finanças foi chamado a dar explicações sobre o papel nas polémicas transferências realizadas pela sua accionista Isabel dos Santos, avança o “Público”.
De acordo com o jornal, o supervisor liderado por Carlos Costa está a passar a pente fino todos os actos da gestão do banco, depois do escândalo «Luanda Leaks». Um dos episódios prende-se com a relação comercial do Eurobic com a petrolífera angolana Sonangol, à época dos factos presidida por Isabel dos Santos, accionista da instituição bancária portuguesa (com 42% do capital) e tem como um dos alvos o antigo governante Teixeira dos Santos.
O caso remonta a meados de Novembro de 2017. Na altura, já estava em curso o processo de destituição de Isabel dos Santos, como presidente da Sonangol. Em simultâneo, saíram da conta da petrolífera angolana, aberta no EuroBic, 135 milhões de dólares (110 milhões de euros) com destino a uma sociedade no Dubai, a Matter Business Solution, que se veio a revelar estar ligada à própria accionista do banco. O presidente do EuroBic, o ex-ministro das Finanças, foi, entretanto, à “RTP”, dar explicações: as ordens de transferência foram ordenadas pelo então responsável financeiro da Sonangol (CFO), com mandato para movimentar a conta da petrolífera.
Segundo adiantou Teixeira dos Santos, aconteceu a 14 e a 15 de Novembro de 2017, antes de o EuroBic ter tomado conhecimento (às 13:04 de 16 de Novembro) de que Isabel dos Santos tinha sido destituída da presidência da Sonangol, tal como o próprio CFO, o ordenante das transacções. A sociedade no Dubai, a Matter, que recepcionou as verbas, figurava como consultora financeira independente da Sonangol, cuja sócia, e última beneficiária, era Paula Oliveira. E o Eurobic não a associava à sua principal accionista Isabel dos Santos.
Entretanto, o “Público” apurou que o BdP abriu um inquérito ao que se passou no Eurobic, para confirmar a veracidade das informações prestadas por Teixeira dos Santos e que exigências em situações idênticas foram cumpridas. O supervisor quer ter a certeza se as ordens em causa partiram de quem tinha mandato, se o Eurobic teve ou deveria ter tido conhecimento da destituição de Isabel dos Santos antes da sua divulgação e se dispunha, ou não, de indícios sobre a sua ligação à sociedade no Dubai.
O jornal acrescenta ainda que, embora as inspecções do BdP a estes movimentos, que passaram pelo Eurobic, só se tenham desencadeado com o «Luanda Leaks», eles são conhecidos há quase dois anos.













