Euribor em 2026. Crédito habitação entra em fase crítica: “Não é depois da casa roubada que se trancam as portas”, avisa especialista

Nuno Rico, especialista da DECO PROteste, falou em exclusivo à ‘Executive Digest’ sobre a expectável evolução das taxas Euribor em 2026 e deixou vários avisos às famílias portuguesas

Francisco Laranjeira

A descida das taxas de juro associadas à Euribor terminou e 2026 deverá ser marcado por um cenário de estabilidade, com tendência para ligeiros agravamentos, sobretudo no primeiro semestre, num contexto internacional que continua dominado pela incerteza.

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“O ciclo de descida das taxas de juro, que se iniciou no início de 2024, terminou”, afirma Nuno Rico, especialista da DECO PROteste em exclusivo à ‘Executive Digest’, sublinhando que já se assiste a um ponto de inflexão claro. “Aliás, como se está a notar, as prestações já voltaram a subir.”

Segundo o responsável, não está em causa um regresso a subidas abruptas como as de 2022. “Para já, nada perspetiva uma subida muito acentuada das taxas de juro. Esse cenário não está em cima da mesa”, assegura.

Nuno Rico enquadra a evolução da Euribor num ambiente internacional particularmente instável. “A única certeza que tivemos ao longo de 2025 foi a incerteza”, afirma, apontando conflitos militares, tensões geopolíticas e a política económica americana como fatores determinantes.

“Continua-se a depositar muita esperança na resolução do conflito na Ucrânia, mas sabemos o quão imprevisível é esse processo”, diz, acrescentando que a política dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump “tem sido errática” e com impacto direto nas economias mundiais.

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Para 2026, o cenário mantém-se. “Estamos a fechar o ano e, olhando para o início de 2026, não há qualquer indicador que nos diga que este contexto de incerteza vá desaparecer”, afirma. Ainda assim, antecipa uma evolução contida das taxas: “Tudo aponta para uma estabilização, ainda com uma subida ligeira, pelo menos até ao final do primeiro semestre.”

“É agora que as famílias devem olhar para o crédito”

No plano interno, o especialista da DECO PROteste deixa um aviso claro às famílias portuguesas. “Esta é a altura indicada para olhar para as condições do crédito”, defende, sublinhando que adiar decisões pode sair caro.

“Não é depois da casa roubada que se trancam as portas”, afirma. “Não é quando o mercado está em alta que vamos à procura de soluções para reduzir a fatura do crédito, porque aí as soluções que encontramos, mesmo que pareçam mais baratas, continuam a ser caras.”

Apesar do fim da isenção das comissões de amortização antecipada, Nuno Rico considera que ainda há margem de manobra. “Mesmo assim, quem tiver essa disponibilidade deve olhar para a possibilidade de amortizar e reduzir a exposição à dívida, aproveitando as poupanças acumuladas nos últimos anos.”

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Créditos mais elevados aumentam o risco

Outro ponto de preocupação prende-se com o valor dos novos créditos à habitação. “Os dados mostram que os novos contratos têm valores médios cerca de 120% superiores à média do total dos contratos”, refere.

Segundo o especialista, este cenário afeta sobretudo os mais jovens, muitos deles a recorrer à garantia pública. “Estamos a falar de pessoas com rendimentos mais instáveis e com créditos de montantes muito elevados”, alerta.

O impacto de pequenas variações pode ser significativo. “Num crédito de cerca de 200 mil euros, uma subida de 1% na taxa de juro significa mais de 100 euros por mês na prestação”, exemplifica. “E quando muitas famílias já estão a contratar perto do limite da taxa de esforço, qualquer variação, mesmo pequena, pode ter impactos muito relevantes nos orçamentos.”

Para Nuno Rico, este é um dos grandes riscos para o próximo ano. “Para já não vemos uma subida forte dos juros, mas este contexto pode alterar-se rapidamente”, conclui. “E é isso que mais nos preocupa para 2026.”

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