No próximo mês, completam-se quatro anos desde o início da invasão russa da Ucrânia e, desde então, a ameaça de Vladimir Putin atacar um país da NATO tem aumentado constantemente.
A publicação espanhola ’20Minutos’ indicou, esta segunda-feira, que diversos analistas acreditam que 2026 poderá ser o ano em que o ditador russo vai agir, sendo que o alvo seria a Estónia. Mais especificamente, Narva, uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes, localizada na fronteira com a Rússia, a apenas 150 quilómetros de São Petersburgo, cidade natal de Putin.
O ex-diplomata Tim Wilsey, do ‘King’s College’ de Londres, explica ao ‘Mirror’ que Narva está localizada no extremo leste da Estónia, separada da Rússia pelo rio Narva, com a cidade russa de Ivangorod na outra margem. “Será que realmente acreditamos que os Estados Unidos vão entrar em guerra por causa de uma cidade na Estónia? Já não tenho tanta certeza”, apontou.
Outrora unidas sob o domínio russo, as cidades foram divididas após a independência da Estónia, tornando Narva um dos postos avançados mais orientais tanto da UE quanto da NATO.
Os dados demográficos representam um fator de risco central, visto que cerca de 97% dos habitantes de Narva falam russo e muitos deles têm laços familiares estreitos do outro lado da fronteira.
Pouco depois de a Estónia reconquistar a independência, a cidade votou pela autonomia num referendo não oficial. Tallinn declarou a medida inconstitucional, e muitos acreditavam que Moscovo a havia incentivado discretamente.
As preocupações aumentaram após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. De facto, em 2022, Putin sugeriu abertamente que Narva era historicamente território russo que precisaria ser “recuperado”, gerando alarme na Estónia e nas capitais da NATO.
A Estónia é atualmente uma das principais apoiantes da Ucrânia e fornece mais ajuda militar em relação ao seu PIB do que qualquer outro país, mas a vida em Narva é mais complicada. Décadas de domínio soviético forjaram laços culturais e linguísticos profundos que não desapareceram com a independência. Essas tensões permanecem visíveis até hoje.
A Estónia distanciou-se veementemente do seu passado soviético, removendo monumentos e alertando os seus cidadãos contra viagens à Rússia. Travessias de fronteira que antes eram rotineiras agora podem levar até 10 horas, um sinal claro de que Narva se tornou uma anomalia geopolítica e o próximo grande alvo de Putin.



