EUA ultrapassam pela primeira vez a China e tornam-se o centro mundial de mineradores de criptomoedas

Os EUA ultrapassaram pela primeira vez a China, tornando-se o abrigo número um para mineradores de criptomoedas, segundos os dados publicados esta quarta-feira pela Universidade de Cambridge.

Em julho, 35,4% do ‘hashrate’ do Bitcoin –um termo utilizado pelo setor para descrever o poder de computação coletiva dos mineradores – reside nos Estados Unidos, de acordo com o Cambridge Centre for Alternative Finance. É um aumento de 428% em relação a setembro de 2020.

Há 12 meses, a China era líder de mercado em ‘hashrate’. Porém a repressão de Pequim contra este mercado mudou por completo o cenário mundial.

Washington e Texas são os destinos preferidos e a justificação é simples: são regiões que trabalham pelas energias renováveis e com baixo custo de eletricidade.

“A mineração é sensível ao preço, e as energias renováveis tendem a ser mais baratas”, explicou o CEO da Blockstream, Adam Back, em declarações à Bloomberg.

 

Pequim desferiu último golpe contra criptomoedas

O Banco Central Chinês (PBOC) intensificou sua pressão sobre as criptomoedas, declarando oficialmente que todas as transações relacionadas a este tipo de ativos digitais são ilegais e devem ser proibidas.

Todas as criptomoedas serão oficialmente proibidas de circular no mercado, revelou a instituição financeira no seu site.

Todas as transações relacionadas a criptomoedas, incluindo serviços prestados por exchanges no estrangeiro, para residentes em território chinês, passam assim a ser consideradas atividades financeiras ilícitas.

Desta forma, a China dá o golpe final nas criptomoedas. Após vários avisos e declarações, o Banco Central quis enviar uma mensagem clara enfatizando que qualquer transação em que uma moeda digital esteja envolvida será considerada ilegal. As atividades publicitárias relativas a este tipo de ativo estão proibidas.

No comunicado emitido na sexta-feira, o banco central destaca que “as criptomoedas não têm o mesmo status que a moeda fiduciária. As moedas virtuais são emitidas por autoridades que não estão ligadas ao sistema monetário”.

Além disso, o planejador estatal chinês, que tem como missão reformar o país, também anunciou que vai proibir qualquer tipo de apoio financeiro para novos projetos de mineração de criptomoedas. Esse mesmo órgão chinês não permitirá que tais projetos usem energia do mercado interno. As zonas de mineração de criptomoedas usam grandes quantidades de energia que também afetam os consumidores.

Perante esta notícia a Bitcoin registou ao 12h20 de Lisboa uma queda de 5,3% para os 41.208,80 dólares, enquanto a Ethereum desceu 9,48% para os 2.759,79 dólares, segundo os dados da Coin Market Cap.

 

Pequim vs Crypto: um duelo que já dura há meses

Pequim continua a sua perseguição ao “mundo negro” das criptomoedas, tendo já detido mais de 1.100 pessoas suspeitas de utilizar este ativo e a sua tecnologia de blockchain para lavar dinheiro.

A polícia chinesa prendeu mais de 170 grupos criminosos em 23 províncias, regiões e cidades, informou o Ministério da Segurança Pública do país em comunicado, há três meses.

De acordo com a nota publicada pelo Executivo, os suspeitos recrutaram alegadamente terceiros para converter fundos ilícitos, que circulavam em moeda fiduciária para criptomoedas, que depois transferiam para carteiras digitais.

Para a Associação chinesa de Pagamentos & Compensação, as plataformas de criptomoedas “são cada vez mais um importante canal para a lavagem de dinheiro entre fronteiras”, conforme pode ler-se num documento publicado pela organização no seu site, em reação a esta notícia.

De acordo com a Bloomberg, o Grande Firewall da China tem censurado desde a passada quinta-feira várias pesquisas na internet que tenham em vista transações de criptomoedas em exchanges populares, como a Binance e a Huobi.

Nos últimos meses, Pequim não tem escondido a sua intenção de apertar o cerco às criptomoedas, ao mesmo tempo que promove a sua própria moeda estatal, o yuan digital. Em maio, três órgãos reguladores do setor proibiram os bancos e as empresas de pagarem de negociarem com tais ativos, afirmando que a Bitcoin, assim como as Altcoins, “podem ser prejudiciais para o mercado financeiro nacional”.

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