EUA retiram-se de organismo que investiga eventuais crimes russos na Ucrânia

Administração Biden juntou-se ao Centro Internacional para o Processamento do Crime de Agressão contra a Ucrânia em 2023, tornando os EUA o único país fora da Europa a cooperar com o grupo

Francisco Laranjeira
Março 17, 2025
12:51

Os Estados Unidos estão a retirar-se do grupo internacional que investiga os responsáveis pela invasão da Ucrânia pela Rússia, incluindo o presidente Vladimir Putin: de acordo com o ‘The New York Times’, o Departamento de Justiça terá informado as autoridades europeias sobre os planos de se retirar do Centro Internacional para o Processamento do Crime de Agressão contra a Ucrânia (ICPA): a decisão deverá ser anunciada esta segunda-feira num email enviada à equipa e aos membros da organização controladora do grupo, a Eurojust (Agência da União Europeia para a Cooperação em Justiça Criminal).

Recorde-se que a Administração Biden juntou-se ao Centro Internacional para o Processamento do Crime de Agressão contra a Ucrânia em 2023, tornando os EUA o único país fora da Europa a cooperar com o grupo.

A retirada é vista como a mais recente indicação do afastamento do Governo Trump da iniciativa de Biden de responsabilizar Putin pessoalmente pelos crimes cometidos na Ucrânia. O ICPA foi criado em Haia com o apoio da Comissão Europeia, e pretende responsabilizar a Rússia e os aliados de Putin – Bielorrússia, Coreia do Norte e Ião – por crimes definidos como agressão pelo direito internacional.

Em novembro de 2023, o então procurador-geral Merrick B. Garland anunciou que os EUA forneceriam 1 milhões da dólares ao ICPA e que os EUA estavam “num apoio firme e inabalável” ao povo da Ucrânia que lutava contra a invasão de Putin.

A Ucrânia está a investigar mais de 150 mil possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia, incluindo a execução sumária de prisioneiros e ataques aéreos direcionados contra civis.

No início deste mês, a Amnistia Internacional produziu um relatório no qual como as autoridades russas submeteram prisioneiros de guerra ucranianos e prisioneiros civis à tortura, detenção prolongada em regime de incomunicabilidade, desaparecimento forçado e outros tratamentos desumanos.

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