EUA recusam fazer parte do esforço global para desenvolver vacina contra a Covid-19

O governo dos EUA afirmou que não irá participar na iniciativa global para desenvolver, produzir e distribuir equitativamente uma vacina contra a Covid-19, uma vez que o esforço é co-liderado pela OMS.

Simone Silva

O governo dos EUA afirmou, esta terça-feira, que não irá participar na iniciativa global para desenvolver, produzir e distribuir equitativamente uma vacina contra a Covid-19, uma vez que o esforço é co-liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), avança o ‘The Guardian’.

O ‘Covid-19 Vaccines Global Access Facility’ (Covax) é um plano desenvolvido pela OMS, em conjunto com a ‘Coalition for Epidemic Preparedness Innovations’ e tem como objectivo acelerar o desenvolvimento de uma vacina, trabalhando para a distribuir de forma equitativa. A OMS anunciou no mês passado que mais de 170 países estavam em negociações para participar no Covax.

Quando questionado sobre o assunto um porta-voz da Casa Branca, Judd Deere, disse em comunicado: «Sob a liderança do presidente Trump, diversas vacinas, pesquisas terapêuticas e testes avançaram em níveis sem precedentes, para fornecer medicamentos eficazes e inovadores, orientados por dados e segurança, e não retidos pela burocracia governamental».

«Os Estados Unidos vão continuar a envolver os seus parceiros internacionais para garantir que iremos derrotar este vírus, mas não nos vamos deixar limitar por organizações multilaterais influenciadas pela corrupta Organização Mundial da Saúde e pela China», acrescentou o responsável.

Numa acção condenada por especialistas de saúde, o governo Trump anunciou em Maio a sua saída da OMS e do respectivo financiamento à organização. Os Estados Unidos foram o maior financiador da organização, contribuindo com 450 milhões de dólares. Donald Trump alegou na altura que a organização era influenciada pela China.

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Especialistas em saúde afirmam que a recusa dos EUA em participar no Covax significa que o país está a apostar na eficácia do desenvolvimento da sua própria vacina, encorajando outros países a fazer o mesmo, o que pode levar ao armazenamento da vacina e a preços mais altos para as suas doses.

Suerie Moon, co-directora do Centro de Saúde Global do Instituto de Pós-Graduação de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento em Genebra, disse ao Washington Post que a recusa dos Estados Unidos em participarem na iniciativa foi um «golpe real» no esforço global para garantir uma vacina.

Em vez de se unir a esforços globais de colaboração para desenvolver uma vacina, a administração de Trump optou por focar-se na Operação Warp Speed, um plano para desenvolver uma vacina e produzir 300 milhões de doses até Janeiro de 2021.

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O Presidente norte-americano indicou que o seu objectivo passa por desenvolver uma vacina até ao dia das eleições, embora especialistas em saúde tenham indicado que provavelmente vai demorar muito mais para que o fármaco seja testado e aprovado.

 

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