EUA pressionam Portugal a reforçar segurança dos cabos submarinos estratégicos

Os Estados Unidos estão a pressionar Portugal para reforçar a segurança dos cabos submarinos que atravessam o Atlântico e que são responsáveis por transportar cerca de 95% dos dados da internet.

Revista de Imprensa

Os Estados Unidos estão a pressionar Portugal para reforçar a segurança dos cabos submarinos que atravessam o Atlântico e que são responsáveis por transportar cerca de 95% dos dados da internet. Estas infraestruturas, fundamentais para comunicações, transações bancárias, mercados financeiros e funcionamento de hospitais, tornaram-se ainda mais sensíveis desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, num contexto de aumento das ameaças híbridas e riscos de sabotagem. Portugal assume um papel estratégico, já que por território nacional transita cerca de 75% do tráfego atlântico de dados, o que coloca o país no centro das preocupações de Washington.

Segundo o Expresso, o embaixador norte-americano em Lisboa, John Joseph Arrigo, deixou um aviso claro durante uma conferência organizada com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD): “Isto só funciona com uma infraestrutura segura e uma segurança económica mais ampla. Enquanto Portugal investe em investigação de segurança, não pode comprometer as infraestruturas de comunicações.” O diplomata sublinhou que estão em causa investimentos de gigantes tecnológicos como Microsoft, Google, Meta ou Amazon, cuja confiança depende da robustez das garantias de segurança.

O Governo português ainda não definiu uma estratégia específica para proteger cabos submarinos e outras infraestruturas críticas. Empresário do setor automóvel na Florida e próximo de Donald Trump, Arrigo recomendou a Lisboa que avance com “um sistema rigoroso de controlo de investimentos que proteja esta infraestrutura e agilize a concessão de licenças a fornecedores de confiança”, numa mensagem interpretada como defesa de maior presença de empresas norte-americanas e exclusão de operadores chineses.

A necessidade de maior articulação interna foi igualmente destacada por Kenny Huang, presidente da Taiwan Network Information Center e conselheiro do Presidente de Taiwan para a segurança de infraestruturas críticas, que alertou para a importância de “melhorar a coordenação governamental”. Em Portugal, cerca de dez entidades estão envolvidas nesta área, sendo a falta de coordenação apontada como fragilidade. “Se alguma coisa correr mal em Portugal, vai prejudicar não apenas o Estado, mas também a Europa”, advertiu Huang, numa referência ao impacto internacional de uma eventual falha.

Já Olivia Negus, do Information Technology Industry Council (ITI), defendeu que “a política para os cabos submarinos exige cooperação internacional e uma forte colaboração do Estado com os privados”, assegurando que “a indústria quer trabalhar com os governos para desenvolver a segurança e os objetivos de segurança nacional”. Do lado português, o contra-almirante Nuno Bragança, coordenador do Centro do Atlântico, garantiu que o país está a reforçar a vigilância marítima, incluindo o acompanhamento de navios russos, e destacou o contributo da futura Constelação do Atlântico — projeto de satélites de alta definição da Força Aérea — para melhorar a monitorização. Sublinhou ainda que a profundidade média das águas territoriais portuguesas, cerca de 1200 metros, oferece uma proteção natural superior à do Mar Báltico (62 metros) e do Mar do Norte (110 metros), onde já se registaram ataques a estas infraestruturas.

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