EUA: Pandemia e protestos provocam corrida à compra de armas em ritmo recorde

O medo da pandemia da Covid-19, a percepção do aumento do crime e as preocupações com a agitação civil e instabilidade política após os protestos contra o racismo levaram os americanos a comprar armas de fogo a um ritmo recorde – com cerca de 40% dos compradores a fazê-lo primeira vez.

Segundo revelam as estatísticas federais, citadas pelo ‘The Guardian’, as verificações de antecedentes de compra de armas aumentaram 69% no ano passado, para 10 milhões, enquanto as de armas de fogo aumentaram 80%.

Analistas do setor estimam que as vendas podem saldar-se em cerca de 3 milhões de armas desde março – um aumento nas vendas tão expressivo que está a pressionar as cadeias de fornecimento dos fabricantes.

De acordo com Phillip Levine, autor de um relatório recente da Brookings Institution, no passado recente registaram-se picos semelhantes que foram respostas aos receios sobre o aumento das restrições à propriedade de armas, após tiroteios em massa, que levaram a protestos exigindo legislação de controlo de armas.

Mas este ano, as motivações são “marcadamente diferentes”, considera o especialista. Nos 12 dias seguintes à declaração do Presidente Donald Trump de uma emergência nacional referente ao surto de coronavírus, as vendas de armas de fogo saltaram para mais de 120 mil por dia, chegando a 176 mil em 16 de março. O total do mês ultrapassou as 700 mil vendas.

“O aumento de 2020, no entanto, tem menos a ver com preocupações relacionadas com o acesso a armas de fogo do que com segurança pessoal. Em março, surgiram preocupações com a segurança pessoal face a um novo vírus mortal e de uma economia em queda livre”, reforçou Levine.

Em junho, acrescentou, “as preocupações com o vírus e a economia permaneceram e foram agravadas por novas evidências de injustiça racial no policiamento, protestos generalizados e discussões sobre o financiamento da polícia”.

Sobre o perfil de quem está a comprar as armas, tudo esta em aberto pois não é possível precisar este tipo de informações. “O comprador de armas de hoje parece-se mais com o resto da América”, escreveu Larry Keane, consultor geral da National Shooting Sports Foundation, um grupo comercial da indústria de armas. “Representam todas as esferas da vida e aqueles que compram armas de fogo hoje são, cada vez mais, mulheres, der minorias, e mais urbanas do que nas gerações anteriores”, conclui.

De acordo com um relatório da Southwick Associates, afiliada à NSSF, mais de 24 milhões de americanos afirmam que, provavelmente, comprarão a sua primeira arma de fogo nos próximos cinco anos.

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