Os Estados Unidos estão a reforçar a sua presença militar na região do Médio Oriente, e Portugal está no centro desta estratégia, com a base das Lajes, nos Açores, a assumir um papel fundamental no apoio a uma eventual grande operação aérea. Nas últimas semanas, a base acolheu 12 aviões de reabastecimento em voo da Força Aérea norte-americana, parte de um destacamento que poderá ser chamado a intervir em caso de escalada do conflito na região.
O major-general Isidro de Morais Pereira, especialista em assuntos militares e comentador da CNN Portugal, sublinha o significado destes movimentos. “Isto significa que os Estados Unidos põem a possibilidade de virem a intervir diretamente em operações no Médio Oriente”, afirmou, acrescentando que o número de meios posicionados revela a seriedade com que Washington encara a situação.
De acordo com Isidro de Morais Pereira, já foram deslocados mais de 20 aviões de reabastecimento a partir dos Estados Unidos, a maioria dos quais se encontra já na Europa ou nas proximidades do Médio Oriente. “Além desses 20, há também uma reserva de reabastecedores que neste momento estão na base das Lajes. Se for uma grande operação aérea, esses aviões estão de reserva e poderão ser chamados a intervir”, explicou o oficial.
O especialista destaca ainda o contexto operacional na região: “Há um porta-aviões americano já na região do Golfo, mais dois a caminho, e um britânico também na área. São muitos aviões para reabastecer. Além disso, Israel tem 300 caças mas apenas três aviões de reabastecimento, e é provável que os Estados Unidos deem apoio nesse domínio.”
Embora o presidente Donald Trump não tenha, até ao momento, confirmado qualquer intenção de intervenção direta no Irão ao lado de Israel, os indícios de preparação militar acumulam-se. As autoridades norte-americanas têm ordenado a retirada de pessoal não essencial do Médio Oriente e intensificado o destacamento de meios aéreos para a região, alimentando a expectativa de uma operação iminente.
Contactado pela agência Lusa sobre a presença das aeronaves norte-americanas nas Lajes, o Departamento de Defesa dos EUA limitou-se a afirmar: “O Comando Europeu dos EUA acolhe habitualmente aviões militares (e pessoal) dos EUA em regime transitório, em conformidade com acordos de acesso a bases e sobrevoo com aliados e parceiros. Para além disso, não temos mais nada a partilhar.”
Situada na ilha Terceira, nos Açores, a base das Lajes continua a desempenhar um papel relevante no contexto da NATO e da cooperação militar entre Portugal e os Estados Unidos. A infraestrutura serve de apoio a operações de reabastecimento aéreo, vigilância marítima e missões de busca e salvamento, entre outras.
Embora a sua importância tenha diminuído em relação ao passado, devido aos avanços tecnológicos, continua a ser um ponto nevrálgico para o posicionamento de forças norte-americanas no Atlântico. “As Lajes não são tão importantes como foram noutros tempos porque atualmente os aviões norte-americanos — os caças e os caças-bombardeiros — têm mais alcance do que tinham antigamente, e porque os Estados Unidos aumentaram muito a sua frota de abastecedores em voo”, reconheceu Isidro de Morais Pereira. No entanto, o oficial frisou que a base mantém valor estratégico por se situar “a meio do Atlântico, já mais próxima da Europa, para deslocar forças que estão numa staging area, uma área de espera, e que podem vir a ser utilizadas se for necessário. É uma reserva estratégica.”
A evolução da situação no Médio Oriente será determinante para perceber até que ponto esta infraestrutura portuguesa será chamada a desempenhar um papel direto numa eventual operação aérea de larga escala.














