EUA iniciam cobrança de taxa de 20% de direitos alfandegários aos países da UE: China com tarifas de 104% a partir de hoje

Preço será mais elevado a partir desta quarta-feira para os países considerados particularmente hostis ao comércio livre, nomeadamente os que têm excedentes comerciais significativos com os Estados Unidos

Francisco Laranjeira
Abril 9, 2025
6:00

Os Estados Unidos da América iniciam esta quarta-feira a cobrança de taxa de 20% de direitos alfandegários aos países da União Europeia. O aço, o alumínio e os automóveis estão sujeitos a uma taxa separada de 25%. No total, serão afetados mais de 380 mil milhões de euros de produtos fabricados na UE. Os produtos farmacêuticos, o cobre, a madeira, os semicondutores e a energia ficaram isentos.

A Comissão Europeia propôs aos Estados Unidos (EUA) um acordo para eliminar os direitos aduaneiros sobre todos os produtos industriais, no âmbito das negociações comerciais, afirmou Ursula von der Leyen, sublinhando a sua intenção de retaliar contra as políticas de Donald Trump, caso as negociações falhem. “Estamos prontos para negociar com os EUA. De facto, propusemos tarifas zero por zero para os produtos industriais, tal como fizemos com sucesso com muitos outros parceiros comerciais”, afirmou a presidente da Comissão Europeia.



“Porque a Europa está sempre pronta para um bom acordo. Por isso, mantemo-lo em cima da mesa. Mas também estamos preparados para responder através de contra-medidas e defender os nossos interesses”, referiu.

O preço será mais elevado a partir desta quarta-feira para os países considerados particularmente hostis ao comércio livre, nomeadamente os que têm excedentes comerciais significativos com os Estados Unidos: Donald Trump anunciou tarifas totais de 54% para a China e 20% para a União Europeia (UE), numa lista que inclui cerca de 80 países e territórios.

Os países asiáticos foram atingidos com taxas mais elevadas do que o bloco europeu: 24% para a Malásia, 26% para a Índia, 32% para a Indonésia, 36% para a Tailândia, 46% para o Vietname, 48% para o Laos e 49% para o Camboja, entre outros. A China foi alvo de uma tarifa “recíproca” de 34%, para além da anterior taxa de 20%, o que perfaz um total de 54%. Mas há mais a partir de hoje para Pequim. As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações oriundas da China sobem hoje para um total de 104%, confirmou a Casa Branca ontem à tarde. A medida representa um novo capítulo na escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e surge após Pequim recusar recuar nas medidas retaliatórias previamente anunciadas.

A decisão foi anunciada esta terça-feira, pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em declarações à Fox Business. Leavitt confirmou que as tarifas atualizadas entram em vigor esta quarta-feira e resultam diretamente do facto de a China não ter desistido da sua retaliação dentro do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, que expirava às 13h do mesmo dia.

Horas antes, Trump tinha escrito na sua rede social que aguardava uma chamada da liderança chinesa para discutir os termos das tarifas, sinalizando abertura para diálogo. No entanto, a comunicação não aconteceu.

Durante a madrugada de terça-feira, o governo chinês declarou publicamente que não recuaria nas suas medidas e que estava preparado para continuar a responder ao aumento das tarifas americanas. “Numa guerra comercial, não há vencedores”, advertiu o porta-voz oficial de Pequim, reafirmando a determinação da China em defender os seus interesses económicos.

Este novo aumento das tarifas por parte dos EUA foi despoletado pela retaliação anunciada por Pequim na passada sexta-feira, quando a China decidiu impor também uma taxa de 34% sobre produtos norte-americanos. Esta medida foi uma resposta direta à decisão de Trump, tomada no dia 2, de aplicar tarifas a produtos provenientes de 180 países — com a Ásia a ser o continente mais atingido.

No caso específico da China, Trump anunciou inicialmente uma taxa adicional de 34%, elevando os direitos alfandegários totais sobre os produtos chineses para 54%. Após a resposta de Pequim, Trump ameaçou aplicar mais 50% de sobretaxa, caso a China não desistisse da sua retaliação. Dado o impasse, a nova tarifa de 104% passa agora a vigorar.

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