EUA enviam avião ‘farejador nuclear’ para a Rússia: Moscovo prepara teste de míssil com alcance quase ilimitado

WC-135R da Força Aérea dos EUA descolou da RAF Mildenhall, uma importante base do Reino Unido no leste da Inglaterra, antes de viajar para o norte ao longo da costa oeste da Noruega, de acordo com a plataforma de rastreamento de voos ‘Flightradar24’

Francisco Laranjeira

Um avião dos EUA projetado para rastrear testes nucleares na atmosfera voou perto das bases nucleares russas no noroeste do país na passada terça-feira, revelou a revista ‘Newsweek’.

De acordo com a publicação, o WC-135R da Força Aérea dos EUA descolou da RAF Mildenhall, uma importante base do Reino Unido no leste da Inglaterra, antes de viajar para o norte ao longo da costa oeste da Noruega, de acordo com a plataforma de rastreamento de voos ‘Flightradar24’.

O avião, identificado como ‘COBRA29’, então circulou ao redor do Mar de Barents, ao norte de Murmansk e a oeste do arquipélago ártico russo de Novaya Zemlya, antes de regressar ao Reino Unido quase 14 horas depois.

A região de Murmansk, no noroeste da Rússia, faz fronteira com a Noruega e a Finlândia, países-membros da NATO, e abriga diversas bases navais e aéreas estratégicas, incluindo aquelas que servem a Frota do Norte de Moscovo, que desempenha um papel significativo no arsenal nuclear da Rússia.

Recorde-se que as autoridades russas indicaram recentemente que Moscovo “não se vê mais limitada” pelas restrições impostas anteriormente a mísseis nucleares e convencionais de médio e curto alcance.

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O WC-135R é um avião modificado que recolhe dados da atmosfera, com o propósito explícito de apoiar um tratado nuclear de 1963. O acordo entre os EUA, a União Soviética e o Reino Unido proibia testes nucleares na atmosfera.

Também conhecido como ‘Constant Phoenix’, o avião é ocasionalmente chamado de “farejador de armas nucleares”. A aeronave pode “detetar ‘nuvens’ radioativas em tempo real”, de acordo com a Força Aérea.

Segundo os analistas que acompanharam o voo online, isso pode indicar que a Rússia poderá em breve realizar testes do seu míssil de cruzeiro nuclear 9M730 Burevestnik num local de lançamento em Novaya Zemlya.

Na NATO, o Burevestnik é conhecido como SSC-X-9 Skyfall. A Rússia elogiou a arma, que é movida a energia nuclear e pode transportar ogivas nucleares, como sendo capaz de ‘driblar’ as defesas aéreas ocidentais e viajar distâncias quase ilimitadas.

A maioria dos testes nucleares ao longo das décadas foi realizada no subsolo, de acordo com a ‘Arms Control Association’, uma organização sem fins lucrativos dos EUA. O Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares de 1963 pôs fim à maioria dos testes atmosféricos, que eram comuns nos primeiros dias do desenvolvimento de armas nucleares, de acordo com a associação.

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Um total de 528 testes iniciais de armas nucleares envolveram detonações na atmosfera que espalharam material radioativo, informou a Associação de Controlo de Armas. Moscovo realizou um teste nuclear pela última vez no final de 1990.

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